Domingo, 5 de Abril de 2026

Descoberta maneira mais inteligente de reciclar espuma de colchões

Descoberta maneira mais inteligente de reciclar poliuretano

As mais de 20 milhões de toneladas de espumas significam um volume imenso porque o material é muito leve.
[Imagem: Gerado por IA/DALL-E]
 

Reciclagem de colchões

Pesquisadores dinamarqueses inventaram uma nova técnica melhor e mais eficiente para reciclar a espuma de poliuretano, presente principalmente em colchões, isolamentos térmicos e embalagens.

Esta é uma notícia duplamente boa, para o meio ambiente e para a indústria, que se interessa por recuperar quimicamente os componentes originais do material, tornando seus produtos mais baratos.

O poliuretano (PUR) é um material plástico usado em colchões, isolamento em geladeiras e edifícios, sapatos, carros, aviões, pás de turbinas eólicas, cabos e muito mais. A maioria dos produtos de PUR descartados no mundo acaba sendo incinerada ou despejada em aterros sanitários. E isso é muito problemático, uma vez que o mercado global de PUR atingiu quase 26 milhões de toneladas em 2022, e uma previsão para 2030 prevê quase 31,3 milhões de toneladas – como são espumas, muito leves, o volume disso é gigantesco.

Por isso tem havido grande interesse em quebrar quimicamente – ou despolimerizar – o PUR em seus principais componentes originais, sobretudo poliol e isocianato, com o objetivo de reutilizá-los como matérias-primas em novos produtos.

Para tornar tudo mais facilmente implantável na indústria, os pesquisadores basearam sua pesquisa no método de reciclagem que as empresas já usam, ou seja, a quebra da espuma de PUR com ácido (acidólise).

Descoberta maneira mais inteligente de reciclar poliuretano

A nova combinação de acidólise e hidrólise consegue recuperar até 82% em peso do material original da espuma PUR flexível, usada em colchões.
[Imagem: Thomas Balle Bech/Aarhus University]

Processamento do poliuretano

A equipe desenvolveu uma nova combinação de acidólise e hidrólise, que se mostrou capaz de recuperar até 82% em peso do material original da espuma PUR flexível, usada em colchões, gerando duas frações separadas de diaminas e polióis.

O método consiste em aquecer a espuma PUR flexível a 220 ºC em um reator com um pouco de ácido succínico e então usar um filtro que captura um dos compostos e deixa o outro passar.

Ou seja, a técnica não consegue só decompor o PUR em seus dois componentes principais, ela também faz isso de uma só vez, em uma reação de uma única etapa.

São os polióis que passam pelo filtro, e o material apurado tem uma qualidade comparável à do poliol virgem, tornando possível usá-lo em nova produção de poliuretano. A parte sólida da mistura do produto, que é filtrada, é transformada em um composto químico chamado diamina, que, por um processo de hidrólise simples, é usada na produção de isocianatos e, portanto, de PUR.

“O método é fácil de ser ampliado,” disse o professor Steffan Kristensen, da Universidade Aarhus. “Mas a perspectiva de também lidar com resíduos de PUR dos consumidores requer mais desenvolvimento”, acrescentou, uma vez que a equipe só trabalhou com resíduos limpos, gerados na própria indústria.

Os pesquisadores estão também testando a nova tecnologia em outros materiais de poliuretano, para ver como eles podem ser reciclados.

 

 

 
 

 

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