Deloitte destaca investimentos, aprendizado contínuo e transformação digital como motores da inovação nas empresas
A inovação consolida-se como um dos pilares essenciais para o crescimento sustentável das organizações, impulsionando eficiência, competitividade e a melhoria contínua na qualidade de produtos e serviços. Essa percepção é amplamente compartilhada pelas empresas participantes da pesquisa “Agenda de Negócios – Vol. 4: Inovação”, realizada pela Deloitte, que apresenta um diagnóstico detalhado sobre o estágio de maturidade da inovação no ambiente corporativo brasileiro.
O levantamento da Deloitte comprova que há relação direta entre inovação e maturidade digital: empresas que se posicionam como mais inovadoras tendem também a apresentar processos mais digitalizados, infraestrutura tecnológica mais estruturada e maior abertura para aplicar soluções baseadas em dados.
“Esse cenário demonstra que a fluência digital e cultura inovadora geram um ciclo virtuoso, conectando áreas, criando fluxos mais ágeis e permitindo respostas mais rápidas em contextos de alta volatilidade e competição crescente”, explica Clarisse Gomes, sócia de Inovação e Ventures da Deloitte.
Nos últimos três anos, as empresas que adotaram iniciativas de inovação relatam colheita de benefícios predominantemente incrementais, orientados ao fortalecimento do negócio principal e à melhoria operacional, principalmente no curto prazo. Entre os impactos mais citados estão o aumento da eficiência operacional, aumento da competitividade, melhoria na qualidade de produtos e serviços, redução de custos, criação de novos produtos e serviços, crescimento de mercado e fortalecimento da marca.
“São efeitos que abrem espaço para avanços consistentes em direção a uma cultura inovadora mais estratégica, pavimentando novos avanços para o futuro”, analisa Rafael Ferrari, sócio de Inovação e Ventures da Deloitte.
Nas empresas em estágio inicial de inovação, os temas mais abordados nas iniciativas são ESG, citado por 42% das empresas; experiência do cliente, por 41%; e produtividade, por 33%. Já organizações em estágio avançado e liderança em inovação demonstram foco crescente em inteligência de dados, mencionada por 47% dos entrevistados, e modelos de negócio, por 37%, além de experiência do cliente, por 57%.
As práticas e estratégias mais adotadas refletem o nível de desenvolvimento da inovação das organizações. O intraempreendedorismo aparece como estratégia mais frequente, seguido por laboratórios ou hubs internos de inovação, estratégia de Open Innovation (inovação aberta) e cocriação com clientes. Práticas mais recentes, como Corporate Venture Capital e Corporate Venture Builder, são menos comuns, revelando que empresas com menor maturidade tendem primeiro a consolidar mecanismos internos antes de avançar para modelos abertos e mais complexos.
No que diz respeito à gestão da inovação, o estudo aponta que 41% das empresas afirmam possuir equipes capacitadas em práticas de inovação, índice que sobe para 80% entre as organizações em estágio avançado ou de liderança em inovação. Já 40% das entrevistadas utilizam metodologias ágeis ou outras práticas que aumentam a eficiência da gestão, sendo que o índice também chega a 80% nas organizações em estágio avançado ou de liderança.
Contam com uma estratégia clara e compartilhada em toda a organização 38% da amostra total, frente a 87% do grupo em estágio avançado ou de liderança. Além disso, apenas 32% das respondentes monitoram indicadores de eficiência do processo, enquanto nas empresas em estágio avançado e liderança em inovação o índice chega a 72%.
Talentos, governança e orçamento ainda aquém do necessário são desafios
Embora seus benefícios sejam amplamente reconhecidos, a inovação ainda precisa ser incluída entre as prioridades estratégicas da maior parte das organizações: apenas duas em cada dez direcionam à agenda inovadora um nível de investimento considerado alto.
Mesmo entre aquelas que atuam em estágios avançados ou exercem liderança em inovação, menos da metade (45%) afirma dar foco específico à inovação no orçamento, em grande parte devido à falta de disciplina na execução das práticas, à carência de governança para alocação de recursos e à ausência de mecanismos robustos de mensuração de resultados.
Foram analisados aportes em inovação, expansão e diversificação de portfólio, estratégias para captação de recursos, adoção de tecnologias disruptivas, qualificação de profissionais para atender às demandas da transformação digital e, sobretudo, avanço nas práticas de sustentabilidade e clima. “A análise dos dados indica que, para enfrentar obstáculos e avançar de forma sustentável, torna-se essencial um plano de investimentos bem direcionados, capaz de aprimorar o desempenho das operações corporativas e preservar a sua competitividade e posição no mercado”, destaca Clarisse Gomes.
A pesquisa revela que quase sete em cada dez organizações ainda se encontram em estágios iniciais ou intermediários de maturidade em inovação. Apenas 26% se classificam como avançadas (com vários projetos e iniciativas bem-sucedidos e cultura de inovação estabelecida) ou líderes (com processo de inovação difundido em praticamente toda a empresa, histórico de sucesso em projetos, time capacitado e cultura de inovação sólida). Nesses grupos predominam empresas dos setores de serviços financeiros e infraestrutura, que historicamente apresentam maior capacidade de investimento e estruturas mais direcionadas à experimentação.
Além disso, os principais desafios apontados para maximizar resultados das iniciativas incluem escassez de talentos qualificados, falta de recursos financeiros, resistência à mudança entre colaboradores, baixa integração entre áreas e processos internos burocráticos. Em relação à formação de parcerias de inovação entre diferentes atores, surgem obstáculos como desalinhamento de objetivos, complexidade na gestão da colaboração, incertezas sobre retorno do investimento e diferenças culturais e resistência interna.
O orçamento disponível para a inovação aparece como um dos fatores determinantes para o avanço da agenda. Enquanto 16% das empresas declaram não ter qualquer investimento estruturado, 35% destinam apenas entre 1% e 5%, e 30% alocam de 5% a 10% do orçamento. Somente 19% consideram a inovação uma prioridade central, com investimentos acima de 10%. Essa restrição orçamentária, bem como a dificuldade de mensurar retorno e a ausência de governança de alocação, deve ser superada para a evolução nos níveis de maturidade.
“Esses aspectos evidenciam que, embora exista intenção e reconhecimento dos benefícios, ainda há um caminho a percorrer para que a inovação deixe de ser pontual e se torne estruturante, envolvendo toda a organização e fomentando a colaboração entre diferentes empresas. A inovação precisa ganhar protagonismo na estratégia corporativa, para permitir transformar boas ideias em resultados concretos”, analisa Rafael Ferrari.
A pesquisa “Agenda de Negócios 2025 – Vol. 4: Inovação”, a mais tradicional e abrangente realizada pela Deloitte Brasil no País, foi conduzida junto a 402 empresas dos setores de Prestação de serviços, Serviços financeiros, TI e Telecom, Bens de consumo, Infraestrutura, Agronegócio, alimentos e bebidas, Comércio, Mineração, petróleo e gás, Manufaturas e Máquinas, equipamentos e acessórios. A maioria dos respondentes (84%) ocupa cargos de liderança – conselhos, presidência, diretoria ou gerência – nessas empresas, trazendo um olhar estratégico e qualificado sobre o diagnóstico atual das ações de sustentabilidade e clima em empresas que atuam no Brasil.
