Crise do chip: IA eleva preço de celular e deve selar fim do PC baratinho
O preço de celulares e computadores deve subir com força por causa de uma corrida de diversas áreas da economia por chips de memória, essenciais a cada vez mais aparelhos. E a responsável por isso é a inteligência artificial, que vem sendo priorizada por fabricantes.
A consequência deve ser ainda pior para os consumidores: o fim dos smartphones e PCs de entrada. E consultorias de mercado já até marcaram data para os notebooks baratinhos sumirem das lojas: 2028.
Quando a gente fala do celular básico, que é aquele que vende a rodo, o preço da memória vai ser 25% do total. O celular tem milhares de componentes e uma categoria só dele vai custar um quarto do total. Isso faz com que a gente chegue à primeira consequência da guerra dos chips: os celulares baratinhos estão fadados a morrer.
Helton Simões Gomes
O peso das memórias sobre o custo total dos smartphones em geral tem subido gradualmente. Era de 16% em 2025 e vai chegar a 23% neste ano. Só que o patamar de um quarto do gasto para montar celulares de entrada deve tornar a categoria dos baratinhos menos atraente para os fabricantes, estimam consultorias como a Gartner.
Ao colocar na ponta do lápis o retorno financeiro oferecido para cada categoria, as fabricantes devem optar por apostar em modelos intermediário e premium, que oferecem margem maior.
Ainda que tenham cálculos divergentes, diversas consultorias que acompanham o mercado de tecnologia estimam que o preço das memórias vai continuar disparando -para a Counterpoint Research, a guinada será de 50%, enquanto, para a Gartner, será de 160% neste ano.
Como o preço das memórias vai saltar, as projeções são de queda nas vendas de smartphones e aumento de preços em todas as categorias. E, para a Gartner, esse movimento vai atingir com mais intensidade os Android de entrada, de modo que Apple e Samsung saiam fortalecidas. Esse cenário deve afastar outras fabricantes que apostam em celulares de entrada.
Entre os computadores, o avanço do preço dos chips de memória é semelhante, tanto é que a Gartner avalia que os PCs de entrada devem deixar de existir em 2028.
O repasse já começou no Brasil. A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) relatou aumento em pelo menos 20% dos preços de PCs e celulares vendidos no fim de 2025.
A pressão nos preços de celulares e notebooks ocorre devido à concorrência pelas memórias RAM e nos SSDs, que passaram a ser disputadas por data centers para aplicações de IA.
A culpa é da inteligência artificial. Muitas empresas estão investindo muito em data centers, em infraestrutura e em GPUs. Mas as GPUs não trabalham sozinhas: elas precisam dos chips de memória. As indústrias estão focando muito mais na memória do tipo HBM, que é essa memória empilhadinha para inteligência artificial, e isso está estrangulando a produção da DRAM, que é a memória utilizada por todos os outros dispositivos
Diogo Cortiz
E, a julgar pela adoção de serviços de IA, os chips de memória continuarão encarecendo smartphones, notebooks e outros eletrônicos. Não só treinar como usar modelos de linguagem de IA exige guardar volumes gigantescos de dados para serem manipulados por chatbots. São as chamadas “janelas de contexto”. E, conforme os serviços ficam mais personalizados, precisam consumir mais memória para manter o histórico de conversas.
OpenAI x Anthropic: treta vira fofoca, irrita Trump e chega ao PC da firma
A rivalidade entre OpenAI e Anthropic deixou de ser disputa de bastidor e começa a aparecer no dia a dia de empresas, à medida que a rival do ChatGPT chega aos computadores da firma.
A briga entre as duas empresas nasceu no laboratório, virou fofoca internacional, escalou para a política e agora invade o ecossistema da Microsoft.
Essa briga começa dentro da própria OpenAI, porque o Dario Amodei, fundador da Anthropic, junto com a sua irmã, era uma das figuras-chave dentro da OpenAI, liderou todo o processo de desenvolvimento da inteligência artificial, mas, em determinado momento, ele viu que a empresa estava deixando de lado a sua missão de criar uma inteligência artificial aberta para a humanidade e focando em produtos mercadológicos. Saiu e fundou a Anthropic, em 2021.
Diogo Cortiz
China lidera na IA ‘com braço e perna’ e abastece até fábrica de robô dos EUA
Quando o assunto é inteligência artificial em celulares e computadores, você pode até lembrar de serviços norte-americanos como ChatGPT, Gemini e Grok. Mas, quando falamos de IA no mundo físico, o país de referência muda radicalmente.
A China não só disparou na robótica humanoide como virou líder incontestável qual a IA ganha braços e pernas.
Quando essa IA ganha pernas, braços e começa a correr livremente por aí, a coisa se inverte, porque quem está na frente, quem está muito na frente, é a China. Hoje em dia, 9 de cada 10 robôs humanoides vendidos no mundo são feitos pela China. As estimativas são que as empresas chinesas vão dobrar a produção em 2026. Um bancão, o Morgan Stanley, estimou que 56% das empresas que fazem robôs humanoides são chinesas. O MIT levantou o panorama: são mais de 140 fabricantes responsáveis por 330 modelos.
Helton Simões Gomes
Nova IA detecta violência oculta contra mulher só de ‘olhar’ ficha no SUS
Uma ferramenta de inteligência artificial construída por pesquisadores brasileiros e já usada no Recife promete ajudar profissionais de saúde a identificar sinais de violência doméstica a partir do que a paciente relata no atendimento médico e do que fica registrado no prontuário.
Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam como a ClarIA “interpreta” padrões de linguagem para detectar mulheres que precisam de acolhimento.
Uma ferramenta que usa inteligência artificial vai ajudar a identificar e a acolher vítimas de violência doméstica. Isso está acontecendo no Recife. O nome dela é ClarIA, em referência ao centro de referência Clarice Lispector, que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica na capital pernambucana. A mulher chega a uma unidade básica de saúde, começa a descrever o problema, e isso é colocado dentro de um prontuário médico. A ferramenta vai associando essas palavras a um padrão e dá duas sinalizações: um sinal amarelo, para o profissional fazer a pessoa falar mais, e um sinal vermelho, quando ela tem que ser encaminhada para um centro de acolhimento.
Helton Simões Gomes
