Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Crescem importações de equipamentos eletrônicos, de processamento de dados e de telecomunicações no Brasil

O Brasil registrou um aumento acentuado nas importações de equipamentos eletrônicos, máquinas de processamento de dados e hardware de telecomunicações entre janeiro e maio, de acordo com diversas fontes de dados de mercado e comércio.

O crescimento é resultado de uma combinação de fatores, entre eles a valorização do real frente ao dólar, tendência que se intensificou nos últimos meses, além da alta demanda por servidores impulsionada pelo crescente número de data centers no país.

Um fator adicional é o excesso de oferta nos mercados globais, alimentado por um redirecionamento nos fluxos comerciais e uma maior oferta de produtos asiáticos, especialmente da China, já que esses bens enfrentam restrições nos EUA e Europa.

Como a BNamericas relatou anteriormente, novas marcas chinesas de smartphones entraram no mercado brasileiro nos últimos meses, com vários modelos importados diretamente da China.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), as importações de produtos elétricos e eletrônicos totalizaram US$ 20 bilhões entre janeiro e maio, um aumento de 6,7% em relação ao mesmo período de 2024.

As exportações aumentaram 9%, para US$ 3 bilhões, embora o déficit comercial no setor continue substancial.

Entre as importações, as máquinas de processamento de dados registraram a maior taxa de crescimento, com alta de 57%, seguidas por refrigeradores, com 27%, de acordo com o último conjunto de dados da Abinee. As importações de produtos de TI aumentaram 22,9%.

Outros segmentos também registraram aumento, com as importações de equipamentos de telecomunicações subindo 12,5%, os dispositivos de automação industrial subindo 11,5% e os equipamentos industriais subindo 8,5%.

Nessas três categorias, os produtos líderes foram cabos de telecomunicações (+130%), instrumentos de medição (+13%) e motores e geradores (+38%), respectivamente.

“A expectativa é de que a importação de eletrônicos aumente, impulsionada pela inovação tecnológica e pela crescente digitalização da economia brasileira”, disse em nota Leonardo Baltieri, co-CEO da fintech Vixtra, focada em importação.

“Contudo, não deve ser um futuro livre de desafios, como incertezas cambiais e instabilidade política, que podem piorar o cenário, pela dependência brasileira a fornecedores internacionais e a necessidade atual atualização periódica”, acrescentou.

China, fibra e mais

Entre janeiro e maio, o Brasil importou US$ 29,5 bilhões em produtos eletrônicos da China, um aumento interanual de 26%, de acordo com dados de comércio exterior do governo brasileiro.

Em 2024, as importações de eletrônicos da China totalizaram US$ 63,6 bilhões.

Segundo a Abinee, o Brasil importou quase US$ 600 milhões em máquinas de processamento de dados de janeiro a maio.

O período também registrou crescimento de dois dígitos nas importações de unidades UPS (fonte de alimentação ininterrupta) e na categoria de “outros equipamentos de TI”.

No segmento de telecomunicações, o aumento de 130% nos cabos de telecomunicações elevou as importações para quase US$ 108 milhões. As importações de equipamentos de comunicação sem fio também mais que dobraram, ultrapassando US$ 7 milhões.

No caso dos celulares, as importações de aparelhos cresceram 10,8%, atingindo US$ 57,7 milhões.

Por outro lado, as importações de fibra caíram 19%, ficando em US$ 10,8 milhões, um declínio que pode estar ligado ao aumento de tarifas impostas pelo governo brasileiro no ano passado em resposta ao aumento da fibra importada, principalmente da China.

O governo brasileiro avalia atualmente medidas para lidar com o aumento mais amplo das importações e seu impacto na economia doméstica. As discussões se concentram na proteção das indústrias locais e na salvaguarda da competitividade das empresas brasileiras, especialmente nos setores de metais, eletrônicos e energia solar.

Além disso, o governo trabalha para fortalecer seu diálogo com a China para buscar um relacionamento comercial mais equilibrado.

 

 

 

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