Terça-feira, 17 de Março de 2026

CPFL apresenta lucro líquido de R$ 1,18 bilhão no 2º trimestre, alta de 7,8%

O grupo CPFL apresentou lucro líquido consolidado no segundo trimestre de 2025 de R$ 1,18 bilhão, crescimento de 7,8% em relação ao mesmo período de 2024, quando a companhia registrou ganho de R$ 1,1 bilhão. O resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho positivo do segmento de distribuição de energia, cujo lucro saltou 50%, de R$ 565 milhões para R$ 847 milhões na mesma base de comparação.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 3 bilhões no trimestre, alta de 6,7% frente aos R$ 2,8 bilhões de uma ano atrás. O destaque foi novamente a distribuição, com expansão de 22,2% (de R$ 1,69 bilhão para R$ 2 bilhões), refletindo aumento de receita e ganhos regulatórios.

Por outro lado, os segmentos de geração e transmissão de energia apresentaram retração no lucro e no Ebitda. A receita operacional líquida avançou 9,2%, chegando a R$ 10,5 bilhões no recorte temporal, contra R$ 9,6 bilhões um ano antes.

Em entrevista ao Valor, o CEO da empresa, Gustavo Estrella, explicou que o consumo de energia teve decréscimo em relação ao ano passado, em razão da mudança da temperatura nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, reduzindo a demanda residencial. Por outro lado, a indústria compensou a queda.

“O mercado residencial caiu 4,8% e o comercial caiu 4,2% por efeito de temperaturas mais baixas. A geração distribuída também continua crescendo dentro da nossa área de concessão. Já a indústria teve resultado positivo de 1,9%, puxado pelo setor de alimentos, que cresceu 5%”.

A inadimplência caiu 37% na área onde a empresa atua, em relação ao trimestre anterior, saindo de 1,18% para 0,82%, por conta da política de cortes, que trouxe a companhia novamente para patamares históricos.

A notícia ruim ficou por conta dos cortes de geração impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), conhecidos pelo jargão “curtailment”, que saltou de 8,6% no primeiro semestre de 2024 para 20,9%, em média, neste semestre. O volume total de perdas em 2025 acumula R$ 131 milhões.

“Segue crescendo a geração renovável, principalmente de geração distribuída. Então a expectativa é que tenhamos mais cortes daqui para frente. Essa mobilização para se buscar uma solução que enderecem este tema, que é o principal risco do setor”, diz Estrella.

O setor passou a realizar, desde julho, a liquidação financeira do “curtailment” na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A expectativa do executivo é que, entre o final deste ano e o início do próximo, os volumes financeiros atinjam níveis significativos, trazendo risco sistêmico e podendo levar à quebra de outras empresas do setor.

A dívida líquida encerrou junho em R$ 27,2 bilhões, aumento de 4% sobre os R$ 26,2 bilhões de um ano antes. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, passou de 2,01 para 2,07 vezes, mantendo-se em patamar considerado administrável pela companhia. A empresa também fez a captação de R$ 2,5 bilhões com prazo médio de oito anos, para alongar a dívida.

No segundo trimestre de 2025, os investimentos totalizaram R$ 1,4 bilhão, representando um aumento de 5,1% em relação aos mesmos três meses do ano passado. Desse montante, 84% foram direcionados aos negócios de distribuição, visando à expansão e à modernização das redes das quatro concessionárias do grupo.

Para o futuro, a empresa tomou a decisão de participar do leilão de transmissão, previsto para acontecer em setembro, mas não revelou em quais lotes deve fazer lances.

 

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