Terça-feira, 3 de Março de 2026

Consumidores do Rio adotam práticas sustentáveis, mas reciclagem ainda é desafio, diz pesquisa

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ) revelou que os moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro estão incorporando hábitos sustentáveis em seu cotidiano, embora algumas práticas ambientais ainda enfrentem resistência. O estudo, conduzido entre 3 e 9 de julho com 959 entrevistados, mostra que a preocupação com o meio ambiente vem ganhando espaço, mas esbarra em desafios estruturais e culturais.

A economia de água se destaca como o comportamento mais difundido entre a população. Impressionantes 92,4% dos entrevistados afirmaram fechar a torneira enquanto escovam os dentes ou lavam louça. A reutilização de embalagens e sacolas plásticas também aparece como prática comum, sendo adotada por 81,1% dos consumidores. Outro dado positivo mostra que 62,8% dão preferência a produtos com menor impacto ambiental em suas compras.

No entanto, quando o assunto é reciclagem, os números revelam uma realidade menos animadora. Apenas 42,5% dos cariocas separam regularmente o lixo seco do orgânico em suas residências, e somente 39,3% priorizam produtos com embalagens recicláveis na hora das compras. Esses percentuais indicam que, apesar da crescente conscientização ambiental, a cultura da reciclagem ainda não se consolidou plenamente na região.

O levantamento também investigou outros hábitos sustentáveis no dia a dia. A prática mais comum entre os entrevistados (93%) é apagar as luzes ao sair de um ambiente. Outros comportamentos positivos incluem evitar produtos ilegais ou sem procedência (75,3%), optar por transporte público ou bicicleta quando possível (68,5%), e dar preferência a pequenos produtores e comércio local (61,4%).

A energia solar emerge como uma tendência promissora, com 76% dos entrevistados demonstrando interesse em adotar a tecnologia, seja através de instalação em suas residências ou negócios. Entre os 24% que não consideram essa possibilidade, os principais obstáculos citados foram o alto custo inicial (5,8%) e limitações físicas, como morar em apartamento (2,7%).

No campo do consumo consciente, os números revelam um público atento: 88,1% pesquisam preços antes de comprar, 87,4% verificam a validade dos produtos, e 83,7% examinam o estado das embalagens. O combate ao desperdício de alimentos também aparece como prática relevante, com 62% dos entrevistados afirmando reaproveitar sobras de comida.

Apesar do avanço na conscientização ambiental – 83,5% afirmaram adotar hábitos sustentáveis em 2025, contra 82,6% no ano anterior – o preço ainda se mantém como fator decisivo nas escolhas de consumo. Apenas 48,9% dos entrevistados disseram estar dispostos a pagar mais por produtos de empresas com práticas socioambientais responsáveis.

A pesquisa também revelou desafios significativos na gestão de resíduos. Um preocupante 75,3% dos entrevistados afirmaram que o lixo em suas ruas é coletado sem qualquer tipo de separação. Além disso, 63,5% declararam não conhecer locais adequados para descarte de materiais recicláveis em suas cidades, evidenciando a necessidade de maior investimento em infraestrutura e educação ambiental.

Os resultados mostram um cenário ambivalente: enquanto algumas práticas sustentáveis já se tornaram hábito para a maioria da população, outras ainda encontram resistência devido a fatores culturais, econômicos e estruturais. O estudo sugere que, para avançar na agenda ambiental, são necessárias não apenas campanhas de conscientização, mas também políticas públicas que facilitem o acesso a alternativas sustentáveis e melhorem a infraestrutura de reciclagem na região.

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