Concorrê ncia dêslêal com a China podê prêjudicar invêstimêntos dê R$ 500 bi no Brasil atê 2027
O Brasil está sob o risco de perder até R$ 500 bilhões em diversos segmentos da indústria até 2027, caso o governo não tome medidas para conter a avalanche de produtos chineses que estão sendo importados. O alerta foi feito pela a Coalizão Indústria, entidade que reúne 14 entidades dos setores de transformação, da construção civil e do comércio exterior no Brasil, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (25).
De acordo com dados preliminares da Coalizão, estão previstos R$ 825,8 bilhões em investimentos desses setores até 2027 – dos quais os R$ 500 bi podem ser perdidos. Os representantes desses segmentos industriais defendem uma taxa de juros competitiva, que permita a retomada dos investimentos (atualmente uma empresa paga em média 23% de juros ao ano), um sistema de impostos mais justo (que tem como pano de fundo a reforma tributária) e condições de competição justas, sem protecionismo da indústria nacional.
No Brasil, os setores que podem ser afetados pelas importações chinesas representam 43,3% do PIB da indústria, o equivalente a US$ 572 bilhões, além de serem responsáveis por 57% das exportações da indústria de manufaturados, o equivalente a US$ 335 bilhões anuais.
Para a Coalizão, as transformações geopolíticas no período pós-pandemia e a necessidade de escoar gigantesco excesso de capacidade instalada de produção acentuaram fluxos de produtos vindos desses países, agravando o ataque aos mercados internos. Por isso, a ação contra a concorrência predatória deve ser prioridade máxima do país – caso contrário os segmentos que compõem a Coalizão não terão como manter os investimentos previstos, e empregos serão eliminados.
“A indústria está sob ataque. Existem mecanismos de que o país pode lançar mão, a exemplo do que já fizeram os países desenvolvidos, para frear, dentro das regras de comércio exterior, essa concorrência desleal. A China é o maior parceiro comercial brasileiro, o governo não tomará medidas e nem é isso que estamos pedindo. Mas há medidas que precisam ser tomadas antes que as empresas morram daqui a um ano. Temos falado com o governo e tratado esses assuntos de forma sistemática. Na União Europeia, 27 países tomaram medidas.
Defendemos uma decisão política do governo em proteção aos nossos mercados”, disse Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão
Indústria.
Para o coordenador, outra fonte de preocupação reside na possibilidade de o Mercosul avançar para um acordo comercial com a China, que vem sendo discutido no próprio âmbito do Mercosul. “A avaliação é que é pouco provável que esse acordo avance, dada a atual complexidade do quadro mundial, mas, caso venha a se concretizar, esses R$ 500 bilhões devem ser suspensos de imediato nos setores representados pelas associações-membros”, ressaltou.
O gestor apontou que, atualmente, os investimentos que estão sob risco são imprescindíveis para o país crescer de forma sustentada e sustentável no longo prazo, promovendo desenvolvimento e inclusão social. “Se a indústria for obrigada a cancelá-los, esses recursos não serão passíveis de reposição por outros segmentos econômicos, setor público ou outros países exportadores”, pontuou Lopes.
PERSPECTIVA DE INVESTIMENTO DE CADA SETOR INDUSTRIAL NO BRASIL
ATÉ 2027
• Construção: R$ 200 bi;
• Alimentos: R$ 150 bi;
• Máquinas e Equipamentos: R$ 87,3 bi;
• Transformados em Plástico: R$ 83 bi;
• Aço: R$ 81,7 bi;
• Automotivo: R$ 81 bi;
• Têxtil: R$ 41 bi;
• Eletroeletrônico: R$ 35 bi;
• Cimento: R$ 27,6 bi;
• Farmacêutico: R$ 21 bi;
• Calçados: 10,2 bi;
• Brinquedos: R$ 8 bi
