Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Comando Vermelho ataca empresas para cobrar gatonet e deixa cidade sem internet

O Comando Vermelho (CV) tem sido apontado como a facção criminosa responsável por ataques a empresas de prestação de serviços de internet e telefonia no Ceará nos últimos dias – em uma das cidades, 90% dos habitantes ficaram sem acesso à internet. Anteontem, uma operação da Polícia Civil prendeu 17 suspeitos de crimes contra companhias do setor e o governo montou uma força-tarefa. O Ministério da Justiça e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) acompanham o caso.

Segundo a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), esse tipo de atuação dos bandidos já ocorria no Rio, no Pará e migrou para o Nordeste. Até agora, ao menos quatro municípios – Fortaleza, Caucaia, Caridade e São Gonçalo do Amarante, onde fica o Porto de Pecém –, foram alvo das ações.

Entre o fim de semana passado e o início desta semana, quase 90% dos pouco mais de 16 mil habitantes de Caridade estão sem acesso à internet. Cabos de fibra ótica das empresas de internet foram cortados pelos bandidos como uma forma de pressionar as empresas a pagarem “pedágio” para a continuidade dos serviços.

Na segunda e na terça-feira, um veículo caracterizado e uma loja de atendimento ao cliente de duas provedoras de internet foram alvejadas em

Pelo País Ação dos criminosos começou no Rio, foi para o Pará e agora chegou ao Ceará

Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza. Em outras investidas, equipamentos de internet instalados na rede de postes, além de veículos com logomarcas de empresas do ramo e lojas de atendimento ao cliente foram incendiadas e depredadas.

STRIKE. A Polícia Civil do Ceará deflagrou a operação Strike. Ao todo, 17 suspeitos de crimes contra empresas de internet foram presos, incluindo o articulador dessas extorsões e ataques e o braço técnico do grupo, que operava um serviço de provedor. Roteadores e distribuidores de fibra ótica também foram apreendidos.

“Em razão dos ataques observados a provedores de internet e ao patrimônio dessas empresas, já vínhamos investigando essas organizações criminosas e intensificamos as apurações para identificar essas pessoas, indiciá-las e representar pelas prisões e buscas e apreensões”, disse o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Sá.

Entre os alvos da operação está um homem de 30 anos, que já tem extensa ficha de delitos por integrar organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, posse ilegal de arma e receptação. O homem já se encontrava preso em Sobral, detido no último fim de semana por suspeita de envolvimento em um homicídio em Fortaleza. Ele não teve a identidade revelada, mas também é investigado na extorsão de empresas provedoras de internet.

SEQUESTRO DE EQUIPAMENTOS. Conforme Cristiane Sanches, vice-líder do Conselho de Administração da Abrint, os ataques começaram no Rio, na área da capital, além da região dos Lagos, e se intensificaram em 2021. A partir dessas duas localidades, a ação dos criminosos migrou para o Pará e o Ceará. Nos três Estados, as ações criminosas seguem o mesmo rito, segundo a Abrint. “Inicialmente, esses grupos entram em contato com os provedores, com os donos dos provedores, e falam: ‘Você tem X dias para começar a me pagar. Se não pagar tanto por mês, ou seja, se eu não virar seu sócio a partir de agora, vou começar a atacar a sua rede’. É uma forma de extorsão”, afirma.

Em alguns casos, a facção criminosa obriga as empresas provedoras de internet a exibirem o sistema de bilhetagem para, de posse dessa informação, identificarem as áreas mais rentáveis em cada região. Além do porcentual exigido com base na arrecadação da empresa, a facção controladora do bairro ou da cidade nas quais as empresas operam também sequestra equipamentos. “Ele ( o criminoso) tira a identificação dos cabos e fala que a rede daquela região passa a ser inteirinha da facção”, afirma Cristiane.

A Abrint solicitou reuniões com a Agência Nacional de Telecomunicações para pedir que atue de forma mais firme no tema. O órgão regulador disse manter “estreita cooperação com as forças de segurança locais”. 

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