Com maior reciclagem de embalagens, Campo Limpo deve faturar 12% mais
Especializada na reciclagem e produção de embalagens para defensivos, a Campo Limpo deve fechar o ano com aumento de 12% na receita, superando R$ 450 milhões. O avanço reflete a expectativa de recolher 75 mil toneladas de embalagens, 13% mais que em 2024, apoiado no crescimento da produção agrícola e na expansão da rede de coleta. Criada em 2008 e controlada por 26 fabricantes de agroquímicos, entre eles UPS e Syngenta, a empresa já produziu 150 milhões de embalagens, abastecendo o próprio portfólio. O sistema integra a logística reversa coordenada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), que desde 2002 encaminhou mais de 800 mil toneladas, evitando a emissão de 1,05 milhão de toneladas de CO₂.
Nova planta e inovação
Prevista para 2026, a unidade de resina em Taubaté (SP) vai ampliar de 25 mil para até 32 mil toneladas/ano a capacidade de reciclagem. Hoje, 100% do plástico recebido é reciclado. A partir de 2027, também serão processadas embalagens flexíveis.
Logística e fronteiras agrícolas
A Campo Limpo movimenta cerca de 18 mil cargas de caminhões/ ano para recolher embalagens em regiões mais distantes. “Para buscar cada galão no Pará ou no norte de Mato Grosso, a logística encarece”, diz Okamura. A empresa investe R$ 50 milhões na construção de cinco centrais de recebimento nas fronteiras agrícolas.
Tecnologia
A Friboi, da JBS, está usando um software que, em tempo real, calcula o melhor trajeto para o escoamento das mercadorias a partir de 15 centros de distribuição. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o sistema permite entregas no mesmo dia, com recorde de duas horas entre pedido e chegada, diz Gilmar Schumacher, diretor de Logística da JBS. “A entrega rápida deixou de ser diferencial para se tornar expectativa do cliente moderno”, afirma. Foram 2 mil entregas em seis meses no Estado de São Paulo, com movimentação de 500 toneladas e faturamento de R$ 16 milhões. No Rio, são 250 entregas em três meses.
Expansão
Com 300 caminhões em São Paulo e 120 no Rio de Janeiro, a Friboi realiza múltiplas viagens diárias com a mesma frota, reduzindo o consumo de combustível por tonelada transportada, afirma o executivo. A empresa planeja expandir o serviço de entrega expressa para outras capitais ainda em 2025, implementando-o progressivamente nos demais centros de distribuição da empresa.
Toma lá…
Países árabes querem investir mais no Brasil. Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, avalia haver interesse dos 22 países da Liga Árabe especialmente em ativos de infraestrutura, do mercado imobiliário e em transição energética. “Há apetite do capital árabe por aportes em energias renováveis, logística, setores nos quais o Brasil tem potencial”, diz. Há também oportunidades para aportes brasileiros no mercado árabe, afirma.
…dá cá.
O Brasil exportou US$ 23,68 bilhões aos países árabes em 2024 e 76% dos embarques foram de produtos do agronegócio. Para este ano, a câmara prevê de estabilidade a leve crescimento nas vendas externas do Brasil ao mercado árabe. “No primeiro semestre, as exportações caíram 17%, mas esperamos reversão até o fim do ano”, diz Mourad.
Volta
O Chile avalia retomar as compras de frango brasileiro, segundo interlocutores do governo. Uma missão de autoridades sanitárias do país esteve na semana passada em Montenegro (RS) para uma auditoria no sistema sanitário. O município registrou um caso de gripe aviária em granja comercial em maio deste ano. Desde lá, estão suspensas as vendas de produtos avícolas de todo o território nacional para o Chile. A indústria das carnes aguarda o resultado da vistoria para retomar os embarques ao país.
Governo corre para Japão comprar carne do Brasil
O governo quer abrir o mercado japonês para a carne bovina em meio à escalada tarifária dos EUA. A abertura deve começar pelos Estados do Sul – os primeiros a obter o status de livre de febre aftosa sem vacinação. Depois, o Ministério da Agricultura quer pleitear a extensão ao País todo. O motivo: o Japão pode absorver parte da proteína que seria destinada aos EUA.
Gripe aviária vai pesar nos resultados de frigoríficos?
O mercado acompanha, nesta semana, a divulgação dos balanços de JBS, BRF e Marfrig. Atenção sobre o possível impacto nos resultados do caso de gripe aviária em granja de Montenegro (RS). As exportações do segundo trimestre recuaram, ainda que o consumo interno tenha aumentado. Custos em baixa podem reduzir os efeitos negativos.