Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Com foco em ambiente e sociedade, Brasil leva 400 startups a Lisboa

 A delegação brasileira no Web Summit, maior feira de tecnologia do mundo, dobrou na edição deste ano em Lisboa. Serão mais de 400 startups nacionais a participar do evento, que começou ontem (11) e vai até quinta-feira (14) No ano passado foram 200 empresas. 

 No total, foram investidos cerca de R$ 2 milhões para promover a tecnologia dos jovens empreendedores do Brasil, com foco em sustentabilidade e impacto social, e um olhar especial a talentos no Nordeste e Norte do país. O apelo ao meio ambiente tem como pano de fundo a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a ser realizada em novembro de 2025, em Belém. 

 A comitiva brasileira foi organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Ministério das Relações Exteriores (MRE), e a Embaixada do Brasil em Portugal. 

 Cristina Mieko, que comanda a área de startups no Sebrae Nacional, contou que em 2022 o pavilhão Brasil tinha cerca de 25 metros quadrados. Neste ano serão dois pavilhões com 324 metros quadrados cada um. “Há uma visão de que a internacionalização das empresas é oportunística. Ou seja, vemos na balança que quando o dólar sobe, culturalmente elas fazem mais exportações. Mas é preciso criar uma estratégia para que esse relacionamento seja recorrente”, disse Mieko. 

 Das mais de 400 startups selecionadas para representar o Brasil, 25% são do Norte e Nordeste. E 27% são lideradas por mulheres. Há ainda 10 startups sediadas em comunidades e que foram selecionadas com o apoio da Central Única das Favelas (CUFA). 

 Para além da ampliação da rede de contatos, o Web Summit rende negócios. Na edição de 2023, as empresas brasileiras movimentaram cerca de US$ 11 milhões em acordos. 

 Uma das apostas do Brasil é a Pluv, que desenvolve uma tecnologia para a captação de água da chuva. Ruan Fernandes, gerente de operações da Pluv, contou que o sistema serve tanto como um mecanismo para trazer segurança hídrica a regiões periféricas, assim como captar a água para ajudar a prevenir deslizamentos. A startup foi fundada em 2021 e está incubada na Universidade Federal de Pernambuco. A tecnologia está em desenvolvimento desde 2006. O equipamento faz a captação nos telhados das casas – uma água muito mais simples de ser tratada. 

 “Esse equipamento está atendendo hoje aqui na região cerca de 90 famílias. Já temos mais de 2 milhões de litros de água da chuva coletada e usada para fins potáveis”, disse Fernandes. 

 O projeto inicial, para atender as 90 famílias, representou um investimento de R$ 1,2 milhão aportados pela universidade e Ministério de Meio Ambiente. “Estamos em negociação para levar o sistema a mais de 400 famílias que vão ser beneficiadas na região de Recife, em um projeto em parceria com o governo do Estado”, disse. Há ainda outro estudo para levar a tecnologia a escolas e postos na Ilha do Combú, em Belém, que hoje não tem água de forma regular. “Isso vai ser um case para ser apresentado na COP30”, contou Fernandes. 

 Já a Orby.co, criada há dois anos nos corredores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, quer ajudar pessoas a recuperar a mobilidade perdida por meio de estímulos ao cérebro. Duda Franklin, CEO e cofundadora da startup, disse que a tecnologia deve ser regulamentada já ano que vem no Brasil. 

 A Orby concluiu uma captação recente que vai ajudar o projeto a caminhar para a etapa de produção. “Captamos alguns milhões para iniciar a primeira operação fabril”, disse Franklin, que tem apenas 25 anos e preferiu não informar o valor captado. A primeira fábrica vai ser em Barueri (SP). 

 Franklin contou que há uma grande corrida no mercado mundial da neuroengenharia. Entre os nomes na disputa estão a Synchron e a Neuralink (do bilionário Elon Musk). Mas a Orby, por adotar uma tecnologia não invasiva, teria uma vantagem a ser explorada. “As tecnologias invasivas têm regulação mais complexa”, disse. 

 Fernando Pesaro, diretor de gestão coorporativa da Apex, disse que a realização do Web Summit deste ano com o Sebrae é o primeiro passo de um acordo amplo para promover as pequenas e médias empresas do Brasil. O acordo, fechado em setembro, prevê o aporte de R$ 175 milhões pelas duas entidades. “O nosso acordo foi inspirado no modelo italiano, um dos países com maior quantidade de cooperativas exportadoras”, disse Pesaro. 

 Pesaro destacou que o foco dos trabalhos é aproveitar a ampla capilaridade do Sebrae e usar a entidade como uma catapulta para levar o trabalho da Apex a outras regiões que não apenas o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. 

 

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