Terça-feira, 3 de Março de 2026

Com COP30 no horizonte, empresas e Anatel detalham rota ESG

A poucos meses da COP30, empresas e Anatel apresentaram, durante Painel Telebrasil 20215, propostas e entregas para acelerar a agenda ESG nas telecomunicações, com foco em inclusão e educação. No painel “Sustentabilidade, inclusão e conectividade”, moderado por Márcio Lino (COLIN Consultoria), Anatel, Vivo e EACE detalharam medidas que combinam condicionantes regulatórias, metas climáticas corporativas e projetos de conectividade em escolas públicas.

A Anatel enfatizou o uso de instrumentos regulatórios de ESG para induzir práticas sociais e ambientais. Cristiana Camarate, superintendente de Relações com Consumidores, afirmou que a agência vem adotando medidas para estruturar iniciativas ESG nas prestadoras.

“Quer participar do edital? Vai ter que comprovar realizações de prática ESG. Quer crédito via Fust? Então, vai ter que conectar escolas. Quer converter multas em obrigações de fazer? Vamos pensar em projetos de habilidades digitais”, disse.

Segundo ela, a prioridade é reduzir lacunas de uso — e não apenas de acesso — lembrando que “54 milhões de brasileiros têm acesso, mas optam por não usar”.

Aproveitando esta proximidade da COP30, conselheiro Vicente Aquino, da Anatel, relacionou a agenda ESG a políticas de infraestrutura e inclusão. Ele citou a evolução do PERT, que passou a incorporar sustentabilidade, conectividade escolar, redes comunitárias, segurança cibernética e habilidades digitais, e destacou obrigações do leilão do 5G: cobertura em capitais e cidades abaixo de 30 mil habitantes, 4G em rodovias e conexão de escolas. “A conectividade não é um privilégio. A conectividade é um direito”, resumiu.

A Vivo apresentou metas de descarbonização e iniciativas de economia circular. Joanes Ribas, diretora de Sustentabilidade, lembrou que a operação brasileira é 100% renovável desde 2018, com mais de 70 usinas (hídricas, solares e biogás), e é carbono neutro desde 2019. A companhia já reduziu 90% das emissões e mantém o restante compensado.

No eixo de cadeia de valor, a Vivo trabalha com 125 fornecedores mais intensivos em carbono e ampliou de 30% para 87% o percentual de parceiros atuando pelo clima. No tema resíduos eletrônicos, o programa Recicle com a Vivo soma 187 toneladas coletadas e a meta é mais 225 toneladas até 2035. Recentemente, a empresa firmou compromisso de 30 anos com a Amazônia para proteção e regeneração. “Sustentabilidade tem que estar na estratégia do negócio”, disse Joanes. “Quem não começou, comece pequeno e vá almejando outros patamares.”

EACE acelera conexão em escolas rurais, indígenas e quilombolas
Pela EACE, Flávio Santos apresentou resultados e metas do Aprender Conectado — parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. A entidade já conectou 8.146 escolas, “mais de seis por dia”, das quais mais de 6 mil são rurais e mais de 300 em terras indígenas.

A meta é atingir 18 mil escolas até o fim de 2025 e cerca de 40 mil até 2026, beneficiando mais de 4 milhões de estudantes. Em localidades sem rede elétrica, a EACE instalou 1.240 usinas fotovoltaicas, com geração de cerca de 5.500 kWh/dia, e tem conectado centenas de escolas via as infovias subfluviais do Norte Conectado. “Os resultados demonstram a importância do projeto”, afirmou.

Ao final, o painel convergiu na necessidade de materialidade e entregas verificáveis. Para a Anatel, os incentivos regulatórios têm baixo custo relativo e alta capacidade de gerar benefícios públicos; para as empresas, ESG precisa ancorar a estratégia, com metas, governança e transparência. Com a COP30 se aproximando, o setor sugere um roteiro claro: condicionar políticas de fomento a resultados sociais, descarbonizar operações e cadeias, fechar o hiato de uso e pegar escala na educação conectada.

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