Cobertura 5G nos municípios vai além do que foi definido em leilão
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A cobertura das cidades com 5G avança mais rapidamente que o planejado no Brasil. As operadoras de telecomunicações que venceram o leilão têm antecipado as metas estabelecidas e já cumpriram 70% do cronograma de implantação previsto para 2025, de acordo com balanço da Conexis Brasil Digital, entidade que reúne as empresas de telecomunicações e de conectividade. Até julho do ano que vem, elas têm de ampliar a quantidade de antenas nas capitais e atender municípios com população igual ou superior a 500 mil habitantes. A Conexis Brasil Digital indica que já há sinal de 5G ativo de pelo menos uma das operadoras em todas essas cidades.
“Isso é incrivelmente positivo. Tentamos fazer algo comedido para funcionar bem e vemos de forma muito positiva [as operadoras] trazerem 5G antes para a população”, avalia Nilo Pasquali, superintendente de planejamento e regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Estamos progredindo bem; a expansão está mais acelerada do que esperado. Temos quase 31 milhões de acessos 5G, mais de 900 cidades com 5G”, acrescenta.
O cronograma prevê obrigações de cobertura para o 5G até 2030, aumentando gradualmente o número de cidades atendidas e o total de antenas instaladas. Além disso, como nem toda a extensão da faixa 3,5 Ghz (que pede 5G puro) está disponível, é preciso desocupá-la em até seis meses antes da ativação de estações radiobase de 5G. “Mas, na prática, estamos muito adiantados, praticamente, cumprimos a obrigação de quatro anos para frente”, diz Pasquali.
Em setembro, a faixa ficou disponível em mais 194 municípios. Com a antecipação, 5.002 municípios – onde vive quase 95% da população do Brasil – passaram a contar com espectro liberado para 5G. Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, estima que o Brasil encerre o ano com cerca de 40 milhões de celulares 5G.
Para Marco Di Costanzo, CTO da TIM, o processo de lançamento, difusão e massificação é exitoso devido ao fato de a outorga de espectro não ter tido cunho arrecadatório e obedecido a uma estratégia de longo prazo; e também à quantidade e à diversidade de espectro e à escolha pelo 5G SA (ou 5G puro, que usa só equipamentos com a tecnologia 5G, e não uma arquitetura que reaproveite infraestrutura do 4G). “O Brasil largou bem na corrida de 5G, mesmo estando atrasado no lançamento, e nossa cobertura não fica atrás de outros países continentais”, afirma.
A TIM lidera a cobertura 5G no 3,5 GHz, chegando a 403 municípios, seguida por Vivo (386 cidades), Claro (265) e Brisanet (134). “Adiantamos em praticamente dois anos o compromisso assinado com a outorga de frequência. Estamos cobrindo 60% da população, chegando às cidades acima de 100 mil habitantes”, diz Costanzo.
Mas por que se adiantar às metas? Para o CTO da TIM, tem a ver com oferta e demanda. “O custo dos celulares 5G caiu drasticamente. Com a tecnologia mais acessível para o consumidor final, a demanda aumenta. E, quando este círculo virtuoso começa, gera mais demanda por cobertura em mais cidades”, afirma. “Estamos monitorando onde o cliente trafega e sabemos onde temos demanda para colocar 5G”, diz Paulo César Teixeira, CEO para a unidade de consumo e PME da Claro. “Estamos à frente da obrigação, então, colocamos capacidade onde temos demanda. Não faz sentido investir em 4G; nosso foco está em 5G e no incentivo para o cliente comprar aparelho com 5G”.
Elmo Matos, diretor de core (núcleo) e redes móveis da Vivo, explica que a expansão da rede 5G para outras regiões é gradual e evolui de acordo com capacidades técnicas, demanda e autorizações para instalações de antenas. “A Vivo está trabalhando para expandir a rede 5G no Brasil e adiantar a cobertura. Isso inclui levar o 5G para novas cidades, melhorar a infraestrutura, expandir a rede de fibra e aumentar o número de antenas 5G. Atualmente, nossa rede 5G chega a 56% da população”, diz.
Com atuação em 87 municípios do Triângulo Mineiro e adjacentes, a Algar Telecom ativou o 5G NSA (aproveitando a infraestrutura de 4G) em 33 cidades. “Estamos cumprindo as obrigações e até antecipando algumas cidades. Dessas 33 cidades, mais de dez foram antecipações e algumas cidades pequenas de menos de 10 mil habitantes”, conta Marcio de Jesus, vice-presidente de negócios.
Em 2030, todas as cidades brasileiras deverão estar cobertas com 5G, assim como boa parte das localidades. E, até lá, a expectativa é ter o padrão 6G desenvolvido, o que fomentará discussão sobre leilão de faixa de espectro para mais uma evolução da telefonia móvel.
