Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026

Claro vê momento positivo e mudanças ‘tectônicas’ no mercado de TV

Para a Claro, o mercado de distribuição de TV está atravessando uma fase diferente e positiva, com a maturidade de modelos convergentes e de parcerias com produtoras de conteúdo. Ao mesmo tempo, o segmento deve lidar com desafios estratégicos e “movimentos tectônicos” que podem direcionar os rumos da indústria nos próximos anos.

A avaliação foi feita por Márcio Carvalho, CMO da Claro, durante o primeiro dia do +TV Forum, evento promovido por TELETIME e Telaviva que teve início nesta quarta-feira, 12, em São Paulo.

Para o executivo, o mercado de conteúdo já está em uma “fase diferente” – marcada dentro da Claro pela consolidação dos super bundles que integram canais lineares e streaming. O modelo, segundo Carvalho, tem permitido resultados positivos nos últimos dois anos e o alcance de marcas importantes ao lado de parceiros de streaming.

“Fomos confrontados com a necessidade dos dois lados de entender que o consumidor quer decidir pelo que vai pagar. As visões poderiam não convergir em um primeiro momento, mas buscamos áreas de convergência para montar um modelo que permitisse chegarmos onde estamos. Reagimos, e voltamos a enxergar um negócio saudável”.

Carvalho reconheceu que a mudança de modelo é acompanhada de desafios como rentabilidade e tíquete diferentes; o foco, contudo, é reter assinantes no ecossistema da empresa e usar o conteúdo como diferencial na venda da conectividade e demais serviços. O app da Claro tv+, por exemplo, já está embutido nos planos móveis da tele.

Movimentos tectônicos
Em uma análise mais ampla, a própria indústria de conteúdo estaria vivenciando “movimentos tectônicos” com implicações profundas. Exemplos citados por Carvalho foram a operação de compra da Warner Bros. pela Paramount e a cisão dos negócios de mídia e telecom da Comcast.

No caso específico do Brasil, entre os acontecimentos de grande repercussão está a relevância das transmissões gratuitas de eventos esportivos na Internet, sobretudo após a Copa do Mundo de 2026 com exclusividade da grade completa de jogos no YouTube.

“Está cada vez mais difícil separar a experiência em casa e fora. Na Copa do Mundo, as pessoas assistiram jogos em qualquer horário, em qualquer lugar e em todas as telas. E muitas vezes a conexão que o 5G está entregando é melhor do que a da banda larga, em termos de velocidade”, apontou Carvalho, ao destacar o cenário de convergência.

Claro vê disputa pelo bolso
No roteiro da Claro, um dos próximos passos deve ser maior aposta na personalização de ofertas. “Nem todo mundo quer assinar tudo. A conectividade é um passo inicial, seja ela fixa ou móvel, e em cima dessa conectividade a gente pode vender muito conteúdo, com o contexto certo e na preferência do consumidor”.

A estratégia se torna ainda mais importante em um cenário de disputa acirrada pelo “bolso” do cliente, apontou Carvalho. As competidoras não são apenas as diferentes plataformas de streaming, mas também segmentos como as bets, em movimento de competição pelo orçamento do usuário verificado durante a Copa do Mundo.

O mercado de TV por assinatura tradicional, inclusive, ficou de certa forma “espremido” no debate que opôs a transmissão da Copa na TV aberta e no streaming: diferente de outras edições, não houve um pico de demanda gerado pela competição. Durante o +TV Forum, Marcio Carvalho também voltou a criticar as exigências regulatórias na TV paga, em contraste com as regras para transmissões na Internet.

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