Quinta-feira, 2 de Abril de 2026

Cisco foca em backbone de provedores de Internet e mercado de data centers

A Cisco busca se posicionar como uma plataforma capaz de suportar cargas de Inteligência Artificial (IA) agêntica, modelo em que sistemas autônomos tomam decisões, executam tarefas e interagem com outras aplicações. E parte dessa estratégia envolve participar da modernização do backbone de conectividade de provedores de banda larga.

O posicionamento da empresa foi comentado pelo presidente da Cisco Brasil, Ricardo Mucci, e pelo vice-presidente da companhia na América Latina, Laercio Albuquerque, nesta quarta-feira, 1º, em coletiva de imprensa durante o evento Cisco Connect 2026, em São Paulo.

De acordo com Mucci, a infraestrutura de backbone está ficando inadequada para suportar as demandas de IA, sobretudo modelos autônomos da tecnologia. “Há um débito técnico do quanto essas infraestruturas estão obsoletas para aguentar a IA”, afirmou.

Isso ganha ainda mais importância diante dos movimentos de revitalização de operações on premise (na própria empresa, em vez da nuvem) e de levar o processamento para mais perto do usuário, por meio de data centers de borda (edge).

A Cisco se vê na linha de frente desse desafio, dado que já atua ao lado do mercado de provedores de serviços de Internet (ISPs). “Do ponto de vista prático, atendemos muito forte o mercado de ISPs. Grande parte dos backbones do País é da Cisco”, destacou Mucci.

Diante das novas exigências de IA sobre as redes, o presidente da Cisco Brasil indicou que a empresa busca implementar uma arquitetura conhecida como “colapsação de backbone”, sistema no qual diversos segmentos de rede local (LAN) e dispositivos são conectados a uma central de alta capacidade.

No caso, a Cisco só não participa da oferta das soluções ópticas, mas fica responsável por toda a estrutura de TI. “É um mercado interessante para nós e estamos focados no modelo de colapsação e gestão do core [de rede] dos provedores”, ressaltou Mucci.

Data centers
O executivo também demonstrou otimismo com o mercado de data centers. Segundo ele, equipamentos da Cisco estão em 90% dos data centers instalados no Brasil, inclusive em data centers enterprise (infraestrutura física própria de uma empresa).

Ainda que pese o fracasso do Redata, programa que previa incentivos para o setor, no Congresso Nacional, Mucci assegurou que os investimentos estão a todo vapor.

“Os clientes não estão segurando os investimentos, estão investindo no refresh tecnológico”, pontuou. “O que a gente escuta também é que há uma demanda estrondosa e não dá para ficar esperando o Redata para construir”, complementou.

Laercio Albuquerque, VP da Cisco na América Latina, por sua vez, reforçou que as empresas “não conseguem implementar projetos de IA com infraestruturas de dez anos atrás”. Ainda assim, afirmou que, entre os países da região, Brasil e México estão “alinhados com o resto do mundo” no que diz respeito ao avanço do parque de data centers.

“O mundo está de ponta-cabeça, mas os investimentos em tecnologia continuam acontecendo em ritmo acelerado”, garantiu Albuquerque. “Trazer o processamento para a ponta, para o edge, isso requer rede. E isso de ter IA o tempo inteiro na ponta está acontecendo cada vez mais”, concluiu o executivo da Cisco na América Latina.

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