Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026

China busca na UIT autorização para mais de 200 mil satélites

Nos últimos dias de 2025, mais de uma dezena entidades da China protocolaram pedidos na União Internacional de Telecomunicações (UIT) manifestando intenção de lançar mais de 200 mil satélites de baixa órbita (LEO) nos próximos anos. O movimento faz parte de uma estratégia do país asiático para garantir acesso a recursos orbitais e espectro.

A maior parte dos satélites solicitados – cerca de 193 mil – integra mega projeto de uma novo player formado pelo governo e indústria chinesa: a Institute of Radio Spectrum Utilization and Technological Innovation. Na UIT, a entidade protocolou pedido para duas constelações (a CTC-1 e a CTC-2), cada uma com previsão de até 96 mil satélites.

Outros requerentes incluem a SpaceSail, constelação chinesa que está buscando entrada no Brasil, como mostrou TELETIME. O grupo baseado em Xangai protocolou na UIT um pedido para 1.296 mil satélites adicionais, além dos 1.296 para os quais já têm aval no organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Também protocolaram pedidos na UIT o China Satellite Network Group (indicando mais de 6,7 mil satélites), as gigantes de telecomunicações China Mobile e China Telecom, as empresas de tecnologia espacial GalaxySpace, Guodian Hi-Tech e Spacety e entidades acadêmicas.

Somados, os pedidos das entidades chinesas ultrapassam os 200 mil satélites, incluindo também projetos de média órbita (MEO), além de sistemas LEO. Esses requerimentos ainda não implicam na autorização final para lançamento, sendo considerados o primeiro passo para a formação das constelações.

As solicitações na UIT ainda devem passar por avaliação técnica e dependem do cumprimento de certos requisitos (como os lançamentos efetivos) antes que os direitos de espectro e as posições orbitais das constelações sejam formalmente assegurados. Este processo pode levar até sete anos.

Estratégia nacional
O movimento da China é descrito pela mídia do país como parte de uma estratégia para assegurar posições orbitais e frequências de rádio em meio à intensificação da competição global na órbita baixa. O segmento é hoje dominado pelos Estados Unidos, sobretudo através da constelação Starlink, da SpaceX.

A ambição também visaria suporte à estratégia de longo prazo da China para comunicações móveis e 6G, tendo como horizonte as conexões diretas entre satélites e dispositivos em Terra.

A Institute of Radio Spectrum Utilization and Technological Innovation – que vai liderar o maior dos projetos submetidos à UIT – também reflete o planejamento do País para a área. Trata-se de um órgão de pesquisa e desenvolvimento recém-criado, voltado à inovação e à comercialização do espectro de rádio na China.

O instituto é liderado por sete entidades, incluindo o Centro Nacional de Monitoramento de Rádio chinês, o China Satellite Network Group, entidades públicas ligadas à administração de Xiong’an e de Hebei, universidades e o conglomerado China Electronics Technology Group Corporation (CETC), estratégico na indústria de defesa do país.

Nos documentos na UIT, não há maiores detalhes sobre a constelação de 193 mil satélites que será liderada pelo Institute of Radio Spectrum Utilization and Technological Innovation. Já a SpaceSail, em estágio mais avançado de desenvolvimento, conta hoje com pouco mais de cem satélites em órbita e pretende prestar serviços ainda em 2026, incluindo no Brasil.

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