CEO da Enel diz que ‘só Jesus Cristo’ evitaria apagão em SP
A rede de distribuição de energia elétrica em São Paulo, praticamente toda aérea, torna “impossível” evitar um apagão em caso de uma tempestade ou uma “situação especial”, na avaliação do CEO do grupo italiano Enel, Flavio Cattaneo. “Se permanece desse jeito, nas árvores, só tem um capaz de gerenciar, mas não é humano, é Jesus Cristo, porque não é possível, de outro jeito, evitar o apagão”, disse o executivo, durante evento para investidores e analistas de mercado realizado ontem, em Milão.
Segundo Cattaneo, as redes elétricas não estão “perto” ou “ao lado” das árvores, mas dentro delas. Por isso, para o executivo, os apagões não são um problema da Enel, mas a companhia teria uma solução definitiva para propor às autoridades de forma a evitar esse problema. “É importante entender que, quando você aprova um capex ( tipo de investimento destinado a comprar, melhorar ou manter ativos físicos de longo prazo), precisa de tempo para a implementação e nem sempre esse tempo corresponde às expectativas da população. E, levando em consideração as eleições, ninguém quer estar envolvido com a discussão relativa ao apagão.”
“Se (a rede elétrica) permanece desse jeito, nas árvores, só tem um capaz de gerenciar, mas não é humano, é Jesus Cristo, porque não é possível, de outro jeito, evitar o apagão”
Flavio Cattaneo
CEO do grupo Enel
TEMPO MÉDIO DE ATENDIMENTO. De acordo com o CEO, o departamento jurídico da Enel e a subsidiária brasileira apresentaram às autoridades locais a capacidade da companhia, que teria recuperado em 50% a qualidade do serviço em São Paulo no último ano. Ele se referiu ao índice de Tempo Médio de Atendimento (TMA) da concessionária, que caiu de 832 minutos em 2023 para 434 minutos no ano passado. “No fim, achamos que estamos no caminho certo, temos de encontrar uma solução para São Paulo”, disse.
Cattaneo lembrou aos analistas e investidores que, embora a Base de Ativos Regulatórios (RAB, na sigla em inglês) da concessionária seja de R$ 2,5 bilhões, há um valor adicional a ser considerado para a empresa, em serviços, geradores e pessoas. “Neste caso, a avaliação é muito maior, para ter uma visão completa da situação, e achamos que fizemos completamente o de-risking para este investimento na América Latina.”
O CEO da Enel salientou que a companhia estaria enfrentando problemas apenas com a renovação da concessão da distribuidora em São Paulo, enquanto para as demais concessionárias do grupo no Brasil, que operam no Ceará e no Rio de Janeiro, as negociações estariam praticamente completas, “sem impedimentos, além do capex para manter a concessão”, afirmou.
NUNES: ‘UM DEBOCHE’. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou a declaração de Cattaneo. “Nem Jesus Cristo salva essa Enel. Muita cara de pau. Um deboche. O nível de incompetência é tão grande que, somado à capacidade de mentiras, chega a assustar. Mais de 80% dos locais que ficaram sem energia não tiveram queda de árvores.”
