Cenário competitivo na América Latina está mudando, diz dona da Claro
Para a América Móvil, grupo mexicano controlador da Claro, o cenário competitivo do setor de telecomunicações na América Latina está mudando e deve trazer oportunidades entre empresas preparadas para a consolidação, inclusive no Brasil.
Em conferência sobre resultados financeiros do grupo realizada nesta quarta-feira, 11, o CEO da América Móvil, Daniel Hajj, comentou alguns dos movimentos em curso. Ele destacou que a empresa ficou de fora da venda de ativos da Telefónica no Chile, mas que ainda avalia a aquisição da Desktop no mercado brasileiro.
“Na nossa região de atuação, acredito que haverá consolidação de mercado e queremos estar preparados para consolidar pequenas empresas ou pequenas operadoras de fibra. O cenário competitivo na América Latina está mudando. Haverá muitas movimentações ao longo do próximo ano ou dois e queremos estar preparados e saudáveis”.
Sem mencionar diretamente o Brasil, o executivo também fez uma análise sobre o momento das empresas de fibra óptica da região.
“Há cinco ou seis anos havia muitas empresas implantando fibra e oferecendo em vários países com promoções muito agressivas. Não estou mais vendo essas empresas expandindo. Ainda há empresas atuando e concorrentes, mas não surgem entrantes fazendo isso. Eles estão percebendo que o negócio não é tão simples quanto parece”.
Resultados da NuCel
Já sobre a telefonia móvel, a América Móvil fez alguns comentários sobre a forte performance da Claro no segmento no Brasil. Daniel Hajj afirmou que o crescimento é fruto de esforços próprios e da parceria com o NuCel, operadora móvel virtual do Nubank.
“Não há dúvida de que o NuCel está nos ajudando na portabilidade numérica, e estamos tendo um desempenho muito bom com eles. Por outro lado, estamos fortes e temos crescido mais em receita do que nossos concorrentes no Brasil”, afirmou o CEO.
“Outra coisa que estou observando é que também estamos atraindo assinantes com ARPU [receita média por usuário] muito bom. Ou seja, não estamos apenas no pré-pago ou no segmento de baixa renda: estamos conquistando também assinantes de perfil mais alto”, completou.
Investimentos
A América Móvil ainda não fechou o guidance de investimentos para 2026, mas estima que o capex neste ano ronde entre US$ 6,8 bilhões e US$ 7 bilhões em toda a região.
O objetivo da gigante mexicana é manter o investimento em torno dos 14%-15% das receitas apuradas no ano, sinalizou o comando do grupo. Este patamar deve ser mantido nos próximos dois ou três anos.
Números em 2025
Em 2025, a América Móvil somou uma receita total de 943 bilhões de pesos mexicanos, ou cerca de US$ 54,8 bilhões. O crescimento foi de 8,6%. Se avaliado apenas o quarto trimestre, o ritmo de crescimento de receita foi menor (+3,4%), mas considerado acima do esperado por analistas do Santander Equity Research.
Já o lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) da multinacional ficou em 372 bilhões de pesos (US$ 21 bilhões) em 2025, neste caso alta de 8,1%. No quarto trimestre sozinho, o indicador avançou 4,2%.
A América Móvil ainda teve um resultado líquido de 82 bilhões de pesos mexicanos (US$ 4,7 bilhões) no acumulado do ano passado, sendo 19 bilhões de pesos (US$ 1,1 bilhão) no trimestre final de 2025.
