Celulares, PCs e TVs podem ficar 30% mais caros devido à escassez de memória RAM no mercado
Recentemente, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) publicou um relatório informando que o preço final dos eletrônicos pode ficar até 30% mais caro para o consumidor. Dentre os dispositivos, é possível citar celulares, notebooks, desktops, TVs e vários outros. Esta alta nos preços se deve à escassez mundial de memória RAM no mercado.
A memória RAM é um componente essencial na maioria dos dispositivos eletrônicos e, com a alta no preço desse chip, o custo de produção dos aparelhos aumentou significativamente. Como consequência, os fabricantes acabam repassando esse aumento aos consumidores, elevando o preço dos produtos nas prateleiras.
Para quem tem pressa:
* A Abinee divulgou um relatório que informa como diversos produtos eletrônicos podem ficar cerca de 30% mais caros devido à alta dos custos de produção;
* Dentre os dispositivos afetados, é possível citar aqueles que requerem memória RAM, como computadores, consoles e até televisões;
* O aumento se dá pela escassez dos chips de memória RAM no mercado, uma vez que as fabricantes do hardware tem priorizado a entrega de chips para empresas donas de grandes data-centers de IA, como Meta e Microsoft.
A alta de preços e a crise de memórias RAM
Os dados levantados pela Abinee mostram que quase a metade do setor de eletrônicos já foi afetada pela pressão dos altos custos de produção. O levantamento, divulgado em fevereiro, confirma que 47% das fabricantes descrevem um maior aumento nos gastos com hardware e matéria-prima para produzir os mesmos dispositivos.
Esse é considerado o terceiro aumento de preços consecutivo e o maior dos últimos 20 meses. O principal fator que encareceu a produção dos eletrônicos é a memória RAM, um chip essencial para a maior parte dos eletrônicos.
Estima-se que a causa de sua escassez (o que, consequentemente, eleva muito o seu preço de venda no mercado) seja em virtude do grande boom da inteligência artificial. Isso porque houve um aumento significativo no número de data centers de IA sendo construídos por grandes empresas (como Google, OpenAI, Microsoft, Meta, etc.), o que acarreta grandes encomendas de chips de memória RAM.
Então, como as fabricantes de hardware decidiram priorizar a entrega dos chips para essas grandes empresas, notou-se uma queda na disponibilidade de memória RAM para outras montadoras de hardware. Nisso, o preço geral da memória RAM encarece, os custos de produção dos eletrônicos aumentam e uma parte significativa deste valor é repassada ao consumidor final, visto que o preço dos eletrônicos nas prateleiras das lojas sofre reajustes.
Quando há uma grande demanda, as empresas que fabricam e vendem a memória RAM podem renegociar contratos antigos — outrora estabelecidos com montadores de eletrônicos, como Valve e Nintendo — e reajustar o valor para se adaptar à realidade do mercado. Então, o valor mais barato previsto no contrato agora passa a se tornar mais caro.
A Abinee indica que esses reajustes podem chegar a 100% com o passar do tempo e que o repasse deste encarecimento pode resultar num aumento de 30% do valor final de um produto. Noutras palavras, eletrônicos como consoles, notebooks, desktops, celulares, TVs e qualquer outro dispositivo que requer uma memória RAM podem ficar cerca de 30% mais caros.
Uma possível solução para o problema seria a rápida construção de fábricas que produzem os chips de memória. Isso seria importante porque poderia aumentar a produção geral de chips.
No entanto, mesmo grandes empresas, como a Samsung, não podem construir fábricas tão rápido conforme a demanda pelos chips cresce. A expectativa, no entanto, é que essas operações comecem a partir do ano que vem.
