Quarta-feira, 29 de Abril de 2026

Celulares e TVs podem ficar até 30% mais caros, aponta Abinee

A Abinee, associação que reúne a indústria eletroeletrônica, afirma que celulares, TVs e notebooks devem apresentar reajustes de até 30% nos próximos meses. A estimativa considera aumento de custos de produção, não apenas de demanda. O cenário é dito mais crítico que o observado na pandemia.

Segundo a entidade, 47% das empresas do setor já pagam mais por componentes e matérias-primas, cifra que avança desde o fim de 2025. O repasse aos preços ocorre pela cadeia de fornecimento, elevando o custo final de produtos.

Um dos principais rumos desse encarecimento é o aumento das memórias, essenciais para dispositivos. Desde o fim de 2024, grandes fornecedores renegociam contratos com reajustes que podem chegar a 100% ao longo da cadeia produtiva, pressionando preços ao consumidor.

A explicação da Abinee difere do cenário de condução da pandemia. Humberto Barbato, presidente da entidade, afirma que a demanda por data centers de IA impulsiona a procura por componentes de alto custo, sem que haja capacidade de expansão rápida na produção de semicondutores.

O resultado é oferta mais restrita e custo maior. Além das memórias, materiais como cobre, alumínio, ouro e prata registraram alta. Em março, o cobre subiu 16,8% e o alumínio 15,3% ante o ano anterior; o plástico também acompanha o movimento.

O petróleo elevou o custo de fabricação de plásticos e impacta o preço de matérias-primas. Conflitos internacionais recentes contribuíram para esse movimento, com efeito direto no preço final dos produtos. Transportes também encarecem devido a combustíveis mais caros.

Qual é o efeito para o consumidor? O repasse dos custos pode reduzir vendas de eletrônicos e pressionar o orçamento familiar. O quadro também pode influenciar o ritmo econômico, dificultando a queda de juros e o crescimento do país.

Para a Abinee, o impacto pode ir além do setor. Barbato afirma que o desempenho do PIB pode ficar abaixo do esperado caso o cenário de preços elevados persista. O alerta aponta para um processo de alta não apenas pontual, mas estrutural nos próximos anos.

Compartilhe: