Cadeias produtivas da energia podem impulsionar reindustrialização do Brasil, avalia Câmara dos Deputados
Audiência pública propõe fortalecer a indústria nacional a partir do adensamento das cadeias de petróleo, gás e fontes renováveis; integração entre política energética e industrial é vista como estratégica para a transição sustentável
A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira (12) uma audiência pública para debater as oportunidades da indústria nacional diante do adensamento da cadeia produtiva de petróleo, gás e outras fontes renováveis de energia. O encontro ocorre às 16h, no plenário 5 da Casa, e contará com a presença de representantes de empresas, associações setoriais e instituições públicas.
O debate atende a requerimento do deputado Alexandre Lindenmeyer (PT-RS). Para o parlamentar, o Brasil possui atributos estratégicos que o colocam em posição privilegiada para liderar o novo ciclo da indústria de base energética. “O entrelaçamento entre política de desenvolvimento industrial e política energética é condição essencial para que o Brasil avance de maneira soberana, sustentável e inclusiva na transição energética”, afirma.
Segundo ele, o aproveitamento da estrutura produtiva já existente, aliada à ampliação da nacionalização de tecnologias e serviços no setor de energia, pode gerar empregos qualificados, estimular a inovação e aumentar o valor agregado produzido no país.
Energia como motor da nova industrialização
O debate ocorre em um momento em que o Brasil busca revitalizar sua política industrial, em sintonia com as exigências da transição energética global. A expectativa é que o fortalecimento das cadeias nacionais de petróleo, gás e fontes renováveis seja alavancado por meio de políticas de conteúdo local, capacitação tecnológica e parcerias entre governo e setor produtivo.
Entre os convidados com presença confirmada estão representantes de instituições estratégicas para o tema, como a Petrobras, Firjan, Abimaq, IBP, ABDI, Abitam, Abinee e Abespetro. Também foram convidados representantes dos ministérios de Minas e Energia (MME) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que ainda aguardam confirmação.
O gerente executivo de suprimentos da Petrobras, Alexandre Gomes Alves, levará à audiência a perspectiva da maior estatal brasileira sobre as possibilidades de incentivo à indústria nacional a partir de seus projetos estratégicos.
Também participam nomes como Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, que representa o setor eletroeletrônico, e Karine Barbalho Sequeira, gerente geral de petróleo, gás, energia e naval da Firjan, além de representantes das cadeias de máquinas e equipamentos, tubos metálicos e serviços de engenharia.
Potencial de geração de emprego e valor agregado
De acordo com Lindenmeyer, a ampliação da política de conteúdo nacional no setor energético pode desempenhar papel fundamental na geração de emprego e renda. “A maior nacionalização de insumos, serviços e tecnologias pode gerar empregos qualificados, fortalecer pequenas e médias empresas e aumentar o valor agregado produzido no país”, pontua o deputado.
A intersecção entre a nova política industrial – que prioriza a sustentabilidade, a digitalização e a descarbonização – e o setor de energia – em transição para matrizes mais limpas – é vista como um caminho promissor para o Brasil se reposicionar como potência industrial e energética.
Agenda da transição energética exige ação coordenada
A audiência pública é considerada estratégica para impulsionar iniciativas que promovam o adensamento das cadeias produtivas no setor energético, considerando não apenas o petróleo e o gás, mas também as fontes renováveis – como eólica, solar, biogás, biomassa e hidrogênio de baixo carbono.
Com a presença de diversos atores da indústria e da cadeia de suprimentos de energia, a expectativa é que o debate contribua para propostas legislativas ou diretrizes de políticas públicas capazes de consolidar um modelo de transição energética que seja, ao mesmo tempo, ambientalmente sustentável, socialmente inclusivo e economicamente competitivo.