Brasil tem tecnologia para extrair minerais do lixo eletrônico, mas matéria-prima não chega à indústria
O Brasil já desenvolveu tecnologias capazes de recuperar lítio, cobalto, cobre, nióbio, tântalo e terras raras de resíduos. O problema está antes da reciclagem: fazer celulares, computadores e outros equipamentos descartados chegarem em escala suficiente às plantas de processamento.
O país gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, o quinto maior volume mundial, mas recicla apenas 3%. Segundo pesquisadores e representantes do setor ouvidos em levantamento repercutido pela ABREMA, coleta insuficiente, falta de rastreabilidade e custos logísticos ainda impedem o avanço da mineração urbana.
Outro número expõe o desequilíbrio. Das aproximadamente cinco mil empresas fabricantes ou importadoras de eletroeletrônicos, apenas 180, ou 3,6%, financiam a logística reversa, segundo estudo da Green Eletron.
Enquanto isso, boa parte dos minerais críticos consumidos pela indústria brasileira continua vindo de importações ou da extração primária.
A discussão ganha peso com a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovada pela Câmara e em análise no Senado. A proposta prevê um programa com cerca de R$ 5 bilhões em incentivos federais ao longo de cinco anos.
Com países industrializados buscando reduzir a dependência de fornecedores concentrados, especialmente da China, o lixo eletrônico deixa de representar apenas um problema ambiental. Torna-se também uma reserva doméstica de matérias-primas estratégicas que o Brasil ainda recupera em escala mínima.
