Brasil TecPar usa IA da IBM para integrar operações de 57 operadoras regionais
A Brasil TecPar está adotando inteligência artificial e observabilidade avançada para enfrentar um dos maiores desafios de sua estratégia de crescimento: integrar a complexidade operacional gerada por 57 aquisições regionais realizadas nos últimos anos. Em parceria com a IBM, a operadora lançou o CORTEX (Centro de Operações Cognitivas), uma plataforma baseada em IA criada para unificar o monitoramento da rede, antecipar falhas e acelerar a resposta a incidentes.
A iniciativa faz parte do Move On, programa de evolução digital da empresa que estrutura sua transformação em três pilares: cultura, tecnologia e inovação, e experiência do cliente. Nesse contexto, o CORTEX funciona como o núcleo operacional da estratégia, aplicando inteligência artificial para tornar mais eficiente a gestão de infraestrutura e serviços.
Com mais de 1,3 milhão de assinantes em nove estados e no Distrito Federal, a empresa opera uma rede formada por diferentes sistemas legados, plataformas OSS e BSS, dispositivos e arquiteturas herdadas das aquisições. A integração dessas operações tornou-se um desafio à medida que a companhia ampliou sua presença no mercado de banda larga.
Segundo a operadora, apenas expandir infraestrutura já não era suficiente para sustentar o crescimento. Era necessário criar um modelo capaz de organizar, interpretar e priorizar o enorme volume de dados operacionais gerados diariamente pela rede.
IA para reduzir ruído operacional
Antes da adoção da nova plataforma, o ambiente gerava centenas de milhares de alertas por dia, muitos deles redundantes ou irrelevantes, o que dificultava a identificação rápida de incidentes críticos.
“Nosso modelo de consolidação criou um ambiente operacional altamente complexo. O volume de alertas crescia exponencialmente, mas grande parte era apenas ruído”, afirma Wendel de Melo, COO da Brasil TecPar. “Precisávamos de inteligência para separar o crítico do trivial e antecipar falhas antes que impactassem os clientes.”
Com o CORTEX, a operadora conseguiu reduzir mais de 70% do ruído operacional, ampliar em 15 vezes a capacidade de monitoramento da rede e acelerar em 84% o tempo de resposta a rompimentos de fibra óptica, um dos incidentes com maior impacto para usuários.
Plataforma combina gestão de ativos e AIOps
A solução utiliza duas tecnologias principais da IBM: o IBM Maximo Application Suite e o IBM Cloud Pak for AIOps.
O Maximo é responsável por gerenciar ativos de rede e infraestrutura, incluindo sites, data centers de borda e mais de 212 mil quilômetros de fibra óptica, permitindo manutenção preventiva e rastreabilidade de incidentes.
Já o Cloud Pak for AIOps funciona como a camada cognitiva da operação, capaz de correlacionar eventos, filtrar alertas redundantes e identificar padrões que indicam falhas iminentes.
Com essa arquitetura, o centro cognitivo passou a processar até 300 mil eventos por dia, ampliando a capacidade operacional da empresa de cerca de 20 mil para mais de 250 mil alertas analisados diariamente.
“O trabalho com a Brasil TecPar demonstra como a combinação de observabilidade avançada, automação e IA pode redefinir a eficiência operacional no setor de telecomunicações”, afirma Viviane Chaves Teixeira, Select Territory Leader da IBM no Brasil.
Base para novas aquisições
Para a operadora, o objetivo vai além de otimizar operações atuais. O CORTEX foi projetado para suportar o crescimento da empresa por meio de novas aquisições, tornando a integração de redes e sistemas mais rápida e previsível.
A companhia pretende consolidar sua posição entre as cinco maiores operadoras de telecomunicações do país até 2027, estratégia que depende diretamente de eficiência operacional e confiabilidade da rede.
“O CORTEX nos permite escalar com inteligência. Cada nova aquisição deixa de ser um problema de gestão e se torna uma oportunidade de expandir nossa capacidade preditiva”, afirma Melo.
Implementação com apoio da Logicalis
O projeto foi desenvolvido com apoio da Logicalis, integradora parceira da IBM especializada em soluções para o setor de telecomunicações.
A implementação seguiu a metodologia IBM Garage, baseada em práticas ágeis e frameworks de governança voltados a acelerar a adoção de novas tecnologias pelas equipes internas.
Para Claudia Muchaluat, Chief Revenue Officer da Logicalis no Brasil, o projeto demonstra como inteligência artificial e observabilidade podem se tornar elementos estruturais da operação.
“Mais do que integrar tecnologias, o CORTEX representa a capacidade de transformar complexidade em previsibilidade, antecipação e valor real para o negócio”, afirma.
