Brasil TecPar compra unidade de fibra da Ligga
A Ligga Telecomunicações assinou hoje, 20 de fevereiro, instrumento vinculante para alienação à Brasil TecPar de determinados ativos e passivos relacionados às suas operações de internet banda larga por fibra, pelo valor total de R$ 495 milhões. Além do valor de aquisição, a compradora assumirá uma dívida líquida estimada em R$ 1,28 bilhão na data de fechamento.
Segundo o comunicado, o valor total da transação está sujeito ainda a ajustes “contratualmente previstos”. O pagamento será realizado “parcialmente à vista, em moeda corrente, e parcialmente mediante entrega, à Ligga, de valores mobiliários de emissão da controladora indireta da Brasil TecPar”.
Da Copel Telecom à Ligga
A Ligga tem origem na antiga Copel Telecom, privatizada em novembro de 2020. À época, o Bordeaux Fundo de Participações Multiestratégia, do empresário Nelson Tanure, arrematou 100% das ações da operadora por R$ 2,395 bilhões, em leilão realizado na B3. O valor representou ágio de 70,94% sobre o preço mínimo de R$ 1,401 bilhão à época. A Copel Telecom possuía então 36 mil quilômetros de rede de fibra óptica, com cobertura nos 399 municípios do Paraná.
A operação anunciada agora envolve “determinados ativos e passivos relacionados às suas operações de internet banda larga por fibra”. O valor de R$ 495 milhões corresponde a aproximadamente 20,6% do montante pago na aquisição integral da Copel Telecom em 2020. Considerando a dívida assumida, o valor acordado pela gaúcha representa um desconto de cerca de 25% sobre o ativo, em seis anos.
Estrutura e desalavancagem
De acordo com a Ligga, a transação “permitirá o reforço de caixa da Companhia e uma desalavancagem substancial das suas obrigações”. O documento acrescenta que, “entre outras obrigações, a Brasil Tecpar se comprometeu a assumir integralmente a responsabilidade pelos pagamentos aos debenturistas da 5ª (quinta) emissão de debêntures da Ligga”.
A conclusão da operação está condicionada à aprovação pelas instâncias de governança da Ligga, à obtenção de autorizações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), além de anuências eventualmente exigíveis dos debenturistas e demais condições contratuais.
Perfil do negócio adquirido
O negócio adquirido pela Brasil Tecpar presta serviços a aproximadamente 344 mil clientes, conforme quantidade de acessos totais divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações.
Considerando informações públicas disponíveis para setembro de 2025, anualizadas, o ativo apresenta:
Receita Bruta de R$ 729 milhões
Receita Líquida de R$ 628 milhões
EBITDA de R$ 315 milhões
Margem EBITDA de 50,2%
O contrato prevê que o valor de R$ 495 milhões está sujeito a ajustes. Do total, R$ 100 milhões serão pagos com disponibilidades de caixa atuais da companhia e R$ 395 milhões serão recebidos mediante aumento de capital a ser realizado pelo acionista controlador da holding.
Segundo a Brasil Tecnologia e Participações, a aquisição fortalece sua presença no Paraná, permitindo alcançar a terceira posição no estado em número de acessos, com 385 mil acessos.
No plano nacional, o grupo passa a se consolidar como a quarta maior operadora de telecomunicações de banda larga fixa do país, com 1,68 milhão de acessos, com base nos dados da Anatel de dezembro de 2025.
“A chegada da Ligga na operação da Brasil TecPar reforça nosso compromisso com o avanço das telecomunicações no país e com a qualidade operacional. Seguimos trabalhando forte para manter nosso crescimento de maneira sustentável e responsável”, finaliza Gustavo Stock, CEO da Brasil TecPar.
Segundo Magnum Foletto, Co-CEO da Brasil TecPar, “a Ligga traz uma infraestrutura única no Paraná, com capilaridade total e um padrão técnico elevado. Essa aquisição consolida nossa estratégia, fortalecendo nossa presença no Sul e aprimorando a conexão com os principais centros econômicos do país”.
O movimento tem impacto relevante no segmento corporativo. Cerca de 40% da receita da Ligga é proveniente do mercado B2B e governamental, área considerada estratégica pela Brasil TecPar pela maior previsibilidade dos contratos e criticidade dos serviços. “A integração ampliará a expertise técnica do grupo nesse segmento e fortalece a oferta de soluções de conectividade para empresas de médio e grande porte, além de operações de atacado (wholesale)”, completa Gilmar Balbinot, CCO B2B da Brasil TecPar.
Para André Valente, CFO da Brasil TecPar, o ganho estratégico vai além do crescimento de base. “A integração gera sinergias operacionais relevantes e cria uma estrutura mais eficiente do ponto de vista econômico. É um movimento que fortalece nossa estratégia de longo prazo e consolida nossa presença nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste”, conta.
