Brasil ocupa a quinta posição global na geração de lixo eletrônico; descubra como realizar o descarte correto
Em lares brasileiros, é comum encontrar celulares antigos, carregadores esquecidos e cabos que não têm mais utilidade. Esse acúmulo de equipamentos eletrônicos revela um problema bem mais sério: o Brasil ocupa a quinta posição global na geração de lixo eletrônico, somando cerca de 2,4 milhões de toneladas descartadas anualmente.
O país está atrás apenas da China (10 milhões de toneladas), dos Estados Unidos (7,2 milhões de toneladas), da Índia (3,2 milhões de toneladas) e do Japão (2,5 milhões de toneladas).
No entanto, apesar desse volume significativo, apenas uma fração desse material é reciclada adequadamente no Brasil. Diferente dos resíduos comuns, o lixo eletrônico requer um processo mais elaborado que inclui a desmontagem dos aparelhos para a separação dos diversos materiais presentes.
Equipamentos eletrônicos são compostos por uma mescla de plásticos, metais e até elementos valiosos como ouro e prata. Para que possam ser reaproveitados, é necessário um procedimento chamado manufatura reversa, onde cada parte é enviada para o destino apropriado.
Por exemplo, na reciclagem de um smartphone, o primeiro passo é a separação da carcaça, geralmente feita de plástico e aço. O plástico pode ser reutilizado na fabricação de novos produtos, enquanto os metais vão para a indústria siderúrgica. A tela de vidro é isolada para um tratamento específico e a bateria de lítio requer um cuidado especial para a recuperação dos componentes químicos.
Um dos principais desafios está nas placas eletrônicas, que acumulam metais preciosos e precisam ser enviadas para fora do país. Especialmente países da Europa e Ásia possuem tecnologia avançada para extrair esses materiais.
Empresas não estão fazendo o suficiente para coletar lixo eletrônico
Apesar da existência de legislações que responsabilizam fabricantes, importadores e varejistas pela coleta e descarte adequado dos produtos eletrônicos, a implementação dessas normas ainda apresenta lacunas. Ademir Brescansin, gerente executivo da Green Eletron – uma organização que colabora com grandes empresas do setor como Apple, Samsung, Dell e HP na coleta do lixo eletrônico –, apontou que há uma discrepância entre o número total de empresas do setor e aquelas que efetivamente cumprem essa função.
“Atualmente existem cerca de 5 mil empresas que produzem, vendem ou exportam eletrônicos para o Brasil. Porém, nosso levantamento indica que apenas aproximadamente 150 delas estão realmente coletando e destinando corretamente esse tipo de resíduo. Essa falha na fiscalização tem um impacto ambiental significativo”, declarou.
Brescansin também mencionou que em 2025 a Green Eletron recolheu 12,5 mil toneladas de eletrônicos. Contudo, esse número representa apenas uma pequena parte do total gerado no país.
Para ele, é fundamental aumentar a fiscalização e implementar medidas mais rigorosas. Por exemplo, empresas que não provarem ter sistemas adequados para logística reversa não deveriam ser autorizadas a operar ou importar produtos.
Como descartar corretamente seu lixo eletrônico?
Os consumidores podem adotar algumas alternativas para realizar o descarte adequado:
A primeira opção é entrar em contato diretamente com o fabricante, que deve disponibilizar opções para coleta;
Outra alternativa envolve utilizar pontos de coleta organizados por entidades gestoras como a Green Eletron, que oferece mapas com locais disponíveis para descarte;
Iniciativas em parceria com órgãos públicos também estão disponíveis em várias cidades com pontos designados.
