Terça-feira, 25 de Agosto de 2026

Brasil gera 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico; mercado de usados cresce como solução sustentável

Celulares, notebooks, televisores, videogames e outros equipamentos eletrônicos fazem parte da rotina de consumo cada vez mais acelerada. A troca frequente de dispositivos, impulsionada por lançamentos e pela rápida evolução tecnológica, tem como consequência um aumento expressivo no volume de resíduos gerados.

Segundo o Global E-waste Monitor, relatório elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU) e pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), o Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, estando entre os países que mais produzem esse tipo de resíduo no mundo.

O Brasil gera 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, sendo um dos maiores produtores do mundo.
A geração de e-lixo cresce cinco vezes mais rápido do que a capacidade de reciclagem formal.
A projeção é que o lixo eletrônico alcance 82 milhões de toneladas até 2030.
O mercado de recondicionados na América Latina deve crescer 12% em 2026, movimentando mais de US$ 4 bilhões.
A revenda de eletrônicos usados evita a emissão de CO2 e reduz resíduos descartados prematuramente.
O desafio, no entanto, não está apenas no volume descartado, mas na velocidade de crescimento desse mercado. O levantamento aponta que, globalmente, a geração de e-lixo cresce cinco vezes mais rápido do que a capacidade de reciclagem formal documentada: a projeção é que esse número alcance 82 milhões de toneladas até 2030.

Crescimento na compra de recondicionados move o mercado
Em meio ao aumento do descarte, cresce também um mercado que busca prolongar a vida útil. A venda de eletrônicos usados e recondicionados deixou de ser uma alternativa restrita a consumidores em busca de preços mais baixos para se consolidar como parte da estratégia de economia circular de empresas e consumidores.

A tendência é observada em diferentes mercados. Segundo a Counterpoint Research, a América Latina deverá registrar crescimento de 12% nas vendas de smartphones recondicionados ainda em 2026, acima da média global. O segmento já movimenta mais de US$ 4 bilhões na região e cresceu 44% em volume entre 2021 e 2025, impulsionado pela expansão de canais especializados, maior confiança dos consumidores e pelo aumento dos preços dos aparelhos novos.

Nesse contexto, itens que antes permaneciam esquecidos em gavetas ou eram descartados passaram a ser vistos como ativos capazes de gerar retorno financeiro e reduzir a necessidade de fabricar novos dispositivos.

“Ainda existe a percepção de que um equipamento usado perdeu totalmente o seu valor. Na prática, muitos desses produtos ainda têm capacidade de atender outro consumidor ou outra empresa por vários anos. A revenda cria uma ponte entre quem não utiliza mais aquele ativo e quem busca uma alternativa mais acessível”, afirma Thiago da Mata, CEO da plataforma de recomercialização de ativos Kwara.

Economia circular também chega às empresas
O avanço desse mercado também acompanha uma mudança na forma como as empresas administram seus ativos tecnológicos. Em vez de manter computadores, notebooks e smartphones armazenados após a renovação, organizações começam a incorporar estratégias de recomercialização como parte da gestão patrimonial e das iniciativas de sustentabilidade.

De acordo com a base de dados da Kwara, a procura por itens seminovos e recondicionados cresceu 105% entre 2025 e 2026. Embora a categoria de móveis tenha liderado esse avanço, eletrônicos e eletrodomésticos também registraram forte crescimento. Segundo a companhia, o volume de produtos revendidos no período evitou a emissão de aproximadamente 7,5 milhões de quilos de CO equivalente, além de reduzir cerca de 1.350 toneladas de resíduos que poderiam ter sido descartados prematuramente.

“Estamos vendo uma mudança de mentalidade. A substituição de um equipamento não significa necessariamente o fim da sua vida útil. Quando esse ativo retorna ao mercado, ele continua gerando valor econômico, amplia o acesso à tecnologia e reduz a pressão sobre a cadeia de produção e descarte”, afirma Da Mata.

Para o executivo, a tendência é que esse movimento ganhe força nos próximos anos, à medida que consumidores priorizem alternativas mais econômicas e empresas passem a incorporar práticas de economia circular em seus processos de renovação de ativos. “A reciclagem continua sendo essencial, mas ela deve entrar quando o aparelho realmente não pode mais ser utilizado. Antes disso, existe um enorme potencial de reúso, recondicionamento e revenda, que preserva o valor dos produtos e reduz significativamente a geração de resíduos”, conclui.

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