Sábado, 17 de Outubro de 2026

Brasil ganha destaque na disputa global por data centers e IA

A expansão da inteligência artificial tem impulsionado investimentos em infraestrutura computacional em várias regiões do mundo. Na União Europeia, a Comissão Europeia lançou em 2026 um programa para criar até sete giga fábricas de IA, com apoio público de até € 10 bilhões e expectativa de atrair ao menos € 20 bilhões em capital privado. Nos Estados Unidos, o projeto Stargate avança para ampliar a capacidade de data centers voltados à IA. Nesse cenário de competição por processamento e energia, o Brasil surge com atributos diferenciados, como sua matriz elétrica predominantemente renovável, novos incentivos fiscais e uma cadeia industrial sólida.

O crescimento do uso de IA não se restringe ao desenvolvimento de modelos e aplicações: ele demanda servidores, chips, armazenamento, conectividade e energia para processar grandes volumes de dados. Os data centers, que concentram essa infraestrutura, tornaram-se ativos estratégicos na disputa global, pois oferecem a base física para o funcionamento de serviços, análises e aplicações inteligentes.

Em setembro de 2026, o Fórum Econômico Mundial divulgou que 97% dos economistas-chefes consultados estimam um aumento no uso de IA nos 12 meses seguintes, enquanto 78% afirmam que os aportes em data centers terão impacto significativo no crescimento econômico global. Esses indicadores reforçam a importância de países capazes de oferecer ambiente favorável a investimentos de longo prazo em computação em nuvem e processamento de dados.

O principal diferencial brasileiro está na matriz elétrica. Segundo o Balanço Energético Nacional 2026, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 86,8% da oferta interna de eletricidade em 2025 provinham de fontes renováveis. No mesmo ano, os parques eólicos e a geração solar fotovoltaica responderam juntos por 26,4% da energia produzida, assegurando menor intensidade de carbono e custos competitivos.

Para acompanhar essa demanda, o governo sancionou em setembro de 2026 o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que prevê incentivos para instalação, modernização e expansão dessas estruturas. O programa estabelece contrapartidas voltadas ao uso de energia limpa, eficiência hídrica, pesquisa e desenvolvimento e oferta de capacidade ao mercado interno. Segundo o Ministério da Fazenda, atualmente cerca de 60% dos dados dos brasileiros estão armazenados no exterior, indicando espaço para reforçar a capacidade nacional de armazenamento e processamento.

A oportunidade alcança também fornecedores de equipamentos elétricos, sistemas de energia, componentes eletrônicos, refrigeração, automação e serviços especializados. Estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) aponta investimento médio de capital em data centers no Brasil de aproximadamente R$ 53,2 milhões por megawatt instalado, sendo que hardware e software representam quase 62% desse total. A Abinee informa que a indústria eletroeletrônica do país faturou cerca de R$ 272 bilhões em 2025, valor que inclui R$ 52 bilhões em equipamentos industriais, R$ 31,7 bilhões em geração, transmissão, distribuição e armazenamento de energia elétrica, além de R$ 15,1 bilhões em componentes elétricos e eletrônicos.

No entanto, o avanço desse mercado exige também maior capacidade de gestão para as empresas envolvidas. Com mais pedidos, fornecedores e volumes de material, cresce a necessidade de integrar processos de finanças, compras, estoque, vendas e análise de dados. Sistemas ERP, como o SAP Business One, são projetados para unificar essas operações. “A expansão de uma nova cadeia tecnológica pode abrir oportunidades para empresas industriais, mas crescer de forma sustentável exige que a gestão acompanhe esse avanço. Quanto maior a complexidade da operação, maior a necessidade de integrar informações para que produção, estoque, compras e finanças trabalhem a partir da mesma visão do negócio”, afirma Marcelo Furtado, Head de Tecnologia da Upper.

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