Domingo, 12 de Abril de 2026

Brasil fica na 57ª posição entre os 67 países analisados no Ranking Mundial de Competitividade Digital

De acordo com o Anuário de Competitividade Digital, o Brasil manteve a mesma posição que ocupou no ano passado, com uma pequena melhoria nos fatores conhecimento e prontidão para o futuro.

“De forma resumida, o Anuário aponta a forte presença das economias asiáticas nas melhores posições do ranking, enquanto a Europa e a América do Norte recuaram um pouco. E alguns países da América Latina continuam ocupando posições inferiores”, resume Hugo Tadeu, professor e diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da FDC, e líder da pesquisa no Brasil.

As análises do Ranking Mundial de Competitividade Digital mostram claramente que as nações que ocupam as primeiras posições estão investindo de maneira consistente e estratégica em talentos, inovação tecnológica e formação acadêmica. Esses países têm implementado políticas de longo prazo focadas no desenvolvimento de infraestrutura digital, formação de uma força de trabalho altamente qualificada e no fomento à pesquisa científica e novas tecnologias. Como consequência, observam-se ganhos expressivos em produtividade, crescimento econômico e competitividade global.

No contexto brasileiro, apesar de avanços significativos em áreas como educação, pesquisa científica e políticas de Inteligência Artificial, ainda há diversos desafios a serem enfrentados para melhorar a competitividade do país.

“A atração e retenção de talentos, a transferência de conhecimento, o financiamento para o desenvolvimento tecnológico e a criação de um ambiente regulatório mais dinâmico e eficiente são pontos críticos que precisam de maior atenção”, pontua Hugo Tadeu.

Além disso, a infraestrutura tecnológica do Brasil necessita de investimentos estratégicos, especialmente em segurança cibernética, conectividade e capacitação digital, para garantir um avanço consistente no cenário global.

A implementação de políticas públicas eficazes, a modernização das infraestruturas e o fortalecimento das parcerias entre o setor público e privado serão fundamentais para que o Brasil atinja seu potencial de inovação e desenvolvimento sustentável.

Em última análise, a construção de um futuro digital competitivo depende da preparação da força de trabalho e da criação de um ambiente favorável à inovação.

“Para isso, é imprescindível uma revisão das políticas educacionais e profissionais, com ênfase em treinamentos técnicos, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, bem como a adaptação do sistema regulatório para a era digital. A inclusão de novas tecnologias no ambiente corporativo e o apoio ao empreendedorismo digital também devem ser prioridades na agenda de transformação digital do Brasil”, completa Hugo Tadeu.

Visão geral do Ranking de Competitividade Digital

PosiçãoPaísPosição por fator
TecnologiaConhecimentoProntidão para o futuro
Singapura
Suíça
Dinamarca
EUA
Suécia
Coreia do Sul
Hong Kong15º
Países Baixos
Taiwan19º19º
10ºNoruega17º17º10º
57ºBrasil56º56º53º
58ºColômbia55º55º49º
59ºMéxico58º58º55º
60ºBotswana49º49º62º
61ºFilipinas64º64º58º
62ºArgentina61º61º47º
63ºPeru63º63º60º
64ºMongólia62º62º64º
65ºGana66º66º65º
66ºNigéria65º65º 
67ºVenezuela67º67º 

Fonte: adaptado de IMD World Digital Competitiveness Ranking 2024

Singapura volta a liderar o Ranking, após uma pequena queda a partir de 2021, seguida por Suíça (2º), Dinamarca (3º), EUA (4º) e Suécia (5º). As últimas posições foram ocupadas por Peru (63º), Mongólia (64º), Gana (65º), Nigéria (66º) e Venezuela (67º).

Na Europa, apenas a Bulgária (40º) ficou entre os piores colocados, enquanto, os Países Baixos tiveram uma queda significativa, indo de 2° para 8°, e Dinamarca (3ª.)  e Suíça (2ª.) tiveram melhoras.

No continente asiático, Singapura obteve a liderança. Entre os 10 melhores classificados estão inclusos Coréia do Sul (6º), Hong Kong (7º) e Taiwan (9º). Nesse ano, China (4°) conseguiu voltar para os cinco melhores colocados, tendo subido 16 posições. Ademais, entre os países de pior colocação estão inclusas as economias asiáticas, como Filipinas (61º) e Mongólia (64º).

Brasil

O Brasil apresentou alguns destaques positivos, como o total de gastos públicos em educação (7º), produtividade em pesquisas de P&D (7º) e políticas de Inteligência Artificial aprovadas por lei (9°). Em relação ao investimento em telecomunicações, o país ficou com a 14ª colocação, com R$ 35 bilhões de investimento em 2023, o que está relacionado com as metas de 5G. Por último, o uso de smartphone também ficou em 14°.

Por outro lado, a prática de transferência de conhecimento (66°), financiamento para desenvolvimento tecnológico (64°), disponibilidade de capital de risco (64°), incentivo para desenvolvimento e aplicação tecnológica     (63º) e legislação para pesquisa científica e inovação (63º) estão entre os piores resultados brasileiros.

Na tabela abaixo, é possível observar o cenário brasileiro e identificar quais indicadores contribuíram para o desempenho do país.

 

Posição por subfatores e indicadores de competitividade digital do Brasil em relação ao mundo
CONHECIMENTO56ºTECNOLOGIA60ºPRONTIDÃO PARA O FUTURO53º
Talento66ºAmbiente Regulatório53ºAtividades adaptativas47º
Avaliação Educacional PISA – Matemática54ºLegislação para abertura de um negócio60ºUso de serviços públicos online pela população19º
Experiência Internacional62ºExecução de contratos41ºVarejo online (US$ por 1000 pessoas)44º
Pessoal estrangeiro altamente qualificado65ºLegislação para imigração de profissionais30ºUso de tablets (% das famílias)58º
Gestão das cidades63ºIncentivo para desenvolvimento e aplicação tecnológica63ºUso de smartphone (% das famílias)14º
Habilidades digitais e tecnológicas63ºLegislação para pesquisa científica e inovação63ºAções para a globalização42º
Fluxo de estudantes estrangeiros47ºDireito de propriedade intelectual58ºFlexibilidade e adaptabilidade35º
Treinamento e educação51ºPolíticas de Inteligência Artificial aprovadas por lei*Agilidade empresarial63º
Treinamento de empregados53ºCapital59ºRespostas às oportunidades e ameaças53º
Gastos totais em educação (% do PIB)Capitalização do setor TIC (%)47ºDistribuição mundial de robôs (%)19º
% da pop. com educação superior54ºFinanciamento para desenvolvimento tecnológico64ºAgilidade das empresas59º
Proporção aluno-professor (ensino superior)48ºServiços bancários e financeiros63ºUso de big data e analytics60º
% de graduação em STEM59 ºAvaliação de crédito do país57ºPrática de transferência de conhecimento66º
População feminina com educação superior53ºDisponibilidade de Capital de Risco64ºAversão a riscos32º
Índice de Educação em Ciência da Computação*17ºInvestimento em telecomunicações (% do PIB)14ºIntegração de TI50º
Concentração científica29ºContexto Tecnológico54ºGoverno digital42º
Gastos totais em P&D (% do PIB)36ºTecnologia de comunicações60ºParcerias público-privada53º
Total de pessoal em P&D per capita22ºAssinantes de banda larga móvel (%)54 ºSegurança digital59º
% de pesquisadores do sexo feminino16ºBanda larga sem fio54ºPirataria de softwares (%)37º
Produtividade de publicações por pesquisasUsuários de internet por 1000 habitantes54ºSegurança cibernética do governo29º
% da força de trabalho em P&D38ºVelocidade média da Internet (Mbps)37ºLeis de privacidade44º
% de patentes de alta tecnologia47ºExportações de manufaturas high-tech44º  
Número de robôs em educação e P&D17ºServidores de internet seguros*46º  
Artigos sobre Inteligência Artificial (IA)*54º    

* Novos subfatores

Fonte: adaptado de IMD World Digital Competitiveness Ranking 2024

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