Brasil assina fundação da WAICO, iniciativa da China para governança de IA
A Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), iniciativa liderada pela China para governança global de IA, foi formalmente constituída nesta quinta-feira, 16, durante conferência internacional realizada em Xangai. O Brasil foi uma das 29 nações a assinar o acordo constitutivo.
A WAICO tem como proposta promover a cooperação internacional em IA com foco no multilateralismo e com maior espaço para vozes do Sul Global. A ênfase pretende ser oposta à abordagem liderada pelos Estados Unidos em outros foros internacionais que discutem a governança de IA, como o G7.
Além do Brasil, Rússia, Paquistão, África do Sul, Indonésia, Sérvia, Etiópia, Quênia, Uzbequistão e Venezuela estão entre os países que assinaram a constituição da WAICO nesta quarta-feira. A organização segue aberta para novos ingressos.
Segundo a carta constitutiva, a WAICO terá como objetivos o desenvolvimento da IA de forma benéfica, segura, aberta e orientada ao ser humano. Ela também buscará reduzir lacunas no acesso a tecnologias e serviços de IA, inclusive a partir de plataforma para conectar oferta e demanda entre os membros e da adoção de modelos open source.
Outra tarefa da organização será o enfrentamento coletivo de riscos e desafios associados ao avanço da inteligência artificial na sociedade, indica o documento constitutivo. A WAICO ficará sediada em Xangai e será financiada com contribuições anuais de membros, além de eventuais contribuições voluntárias de países e demais agentes.
Os 29 signatários iniciais da WAICO são África do Sul, Argélia, Belarus, Brasil, Camboja, Camarões, Cazaquistão, China, Congo, Cuba, Etiópia, Indonésia, Laos, Lesoto, Malásia, Moçambique, Myanmar, Nicarágua, Omã, Paquistão, Quênia, Quirguistão, Rússia, Senegal, Sérvia, Tajiquistão, Uzbequistão, Venezuela e Zâmbia.
WAIC
Nesta semana, Xangai está sendo palco da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) de 2026, promovida pelo governo da China e que conta com presença do presidente do país, Xi Jinping. Além da governança, o evento também tem buscado destacar avanços no desenvolvimento de IA em solo chinês.
A Huawei, por exemplo, está fazendo a estreia pública do seu cluster de computação para IA mais avançado durante a conferência internacional. O sistema de larga escala Atlas 950 SuperPoD aposta em uma arquitetura onde milhares de chips funcionam como um único computador lógico e é colocado como alternativa para a tecnologia da Nvidia na área.
(Colaborou Samuel Possebon)
