Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Atraso em leilões de transmissão são causa dos cortes de geração renovável, diz ministro

 O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), atribuiu o problema dos cortes na geração de energia renovável (eólica e solar) no Nordeste, que vêm causando prejuízos milionários às empresas do setor, ao atraso no planejamento e realização de leilões de transmissão no país. Os cortes de geração por falta de demanda, também conhecidos pelo termo em inglês “curtailment” no jargão do setor, são decididos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). 

As restrições por falta de linhas de transmissão estão provocando prejuízos milionários às empresas e motivando pedidos de ressarcimento e uma onda de judicialização contra a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo Silveira, a discussão sobre os cortes de geração de energia precisam ser alvo de diálogo para alcançar um ponto de convergência equilibrado, até que a infraestrutura necessária para o escoamento de energia fique pronta. 

 “O problema é que há uma ansiedade natural daqueles que precisam efetivamente escoar a energia que estão produzindo, porque houve um desencontro de data entre a transmissão”, disse Silveira, ressaltando que as obras dos leilões dos últimos dois anos licitaram mais de R$ 60 bilhões, ampliando a capacidade de escoamento dessa energia represada. 
 
Segundo o ministro, o governo vem trabalhando com as partes interessadas sobre a questão, que vem rendendo cortes expressivos em alguns geradores de energia renovável, mais notadamente a eólica e a solar, a pedido do ONS. O tema está sendo acompanhado pelo secretário de Energia, Gentil Nogueira, em um grupo de trabalho com apoio do ONS. 

 “Estamos buscando o equilíbrio e o diálogo para achar o ponto de convergência nesse momento até que as linhas de transmissão sejam efetivamente concluídas. Assim, teremos o horizonte claro de investimentos em geração”, disse Silveira, em visita ao canteiro de obras do Projeto Piraquê, na cidade de Janaúba (MG), em construção pela Isa Energia.

 O temor é que os consumidores tenham que acabar arcando com a conta, já que as empresas defendem que a compensação seja feita por meio do Encargo de Serviços do Sistema (ESS), repassado à conta de luz.

 

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