Terça-feira, 10 de Março de 2026

Assaí fecha acordo com Auren para arrendamento de três usinas solares

O Assaí fechou uma parceria com a geradora de energia Auren num contrato que torna a rede varejista autoprodutora de energia. A companhia acertou o arrendamento por cinco anos de três usinas solares no município de Jaíba (MG), somando 36 megawatts médios de capacidade de produção. Anteriormente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já havia dado aval para o negócio, que não teve seu valor revelado.

Conforme as empresas, essa energia atenderá diversas lojas nos Estados do Acre, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo, além do Distrito Federal, que correspondem a cerca de um terço do consumo total da empresa.

O Assaí já obtém 99% de sua energia de fontes renováveis, entre contratos no mercado livre e painéis solares instalados para atender algumas de suas 304 lojas. De acordo com o mais recente informativo mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o grupo foi o maior consumidor, em volume de energia consumido em agosto, na categoria “especial”, ou seja, unidades com demanda contratada entre 500 quilowatts (kW) e 1.000 kW e que adquirem energia proveniente de usinas solares, eólicas, de biomassa e de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) com desconto na tarifa fio.

Iniciativa reforça estratégia de sustentabilidade
Segundo o diretor administrativo de Operações do Assaí, Alexandre Araújo, o movimento tem com objetivo a diversificação de canais de fornecimento de energia renovável, a redução de custos e o reforço da estratégia de sustentabilidade do atacadista.

“A gente conseguiu unir dentro dessa proposta duas coisas: a responsabilidade pela despesa e a nossa responsabilidade ambiental”, disse o executivo à Coluna, sem revelar números sobre a economia esperada. A empresa revela apenas que o contrato com a Auren permitirá evitar aproximadamente 86 mil toneladas de CO2 em cinco anos e colaborará no cumprimento de compromissos de redução de suas emissões de CO2 nos escopos 1 e 2 até 2030.

Diversificação de carteira
Para a Auren, o contrato com o Assaí agrega um perfil de consumo diferente para a carteira da geradora, uma vez que a rede varejista tem uma operação também aos finais de semana, diferente de muitos consumidores industriais, que têm operação apenas de segunda à sexta, afirmou o diretor de Comercialização da Auren, Eduardo Diniz.

O excesso de oferta de energia tem sido um desafio para o sistema elétrico brasileiro e para as geradoras de energia renovável, pois tem levado o Operador Nacional do Sistema (ONS) a comandar cortes na produção, gerando perdas milionárias para as companhias.

Assaí e Auren já tinham algum relacionamento comercial, por meio de contratos no mercado livre de mais curto prazo, mas o contrato anunciado agora é o primeiro com extensão maior.

Complexo tem comercialização concluída
O acordo representa para a Auren também a conclusão da comercialização da energia do Complexo Sol de Jaíba, de 500 megawatts (MW) de capacidade instalada. A geradora, que finalizou a energização do empreendimento no ano passado, já havia informado que estava trabalhando na venda da energia do projeto por meio de contratos de autoprodução.

Segundo Diniz, a companhia tem atualmente 12 clientes de autoprodução, somando 2 GW de capacidade instalada dedicados a esse modelo de negócio, dos 8,8 GW de potência que a geradora opera. E a empresa segue trabalhando para expandir a carteira, a partir de outras usinas. “A gente tem alguns ativos que já estão em operação comercial e em negociações avançadas”, disse o executivo, sem dar detalhes.

O executivo comenta que os consumidores de grande porte, como o Assaí, têm se preocupado com a descarbonização, além de buscar estratégias que colaborem na previsibilidade de custos. “A volatilidade climática que a gente tem hoje reflete no PLD (o preço de referência para a energia de curto prazo), mas no modelo de autoprodução, que são contratos de mais longo prazo, eles passam a ter essa proteção contra a volatilidade e a segurança do fornecimento”, disse.

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