Argentina indica remédios para liberar venda de unidade da Telefónica
As autoridades argentinas avançaram na avaliação da venda da unidade da Telefónica no país para a Telecom Argentina. O Ente Nacional de Comunicações (Enacom) apresentou parecer sobre o negócio, sugerindo desinvestimentos que devem ser feitos pela compradora.
O relatório não tem caráter vinculante. A expectativa é de que Autoridade Nacional de Competição (ANC), órgão de defesa da concorrência, emita uma decisão final sobre a fusão até o início de maio.
Conforme os remédios propostos pela entidade que regula o setor de telecomunicações, a Telecom Argentina deve se desfazer de 6 milhões de clientes de telefonia móvel em dois anos.
Desse total, 4 milhões de usuários alienados devem ser da Região Metropolitana de Buenos Aires. Os demais 2 milhões ficam distribuídos entre as regiões Norte e Sul do país.
Além disso, o Enacom propõe que a Telecom devolva 130 MHz de espectro ao Estado e venda parte da carteira de clientes do segmento fixo em áreas em que detém mais de 50% de participação de mercado.
Por fim, o relatório recomenda que a Telecom Argentina retire todos os processos judiciais existentes contra o Estado e quite dívidas e multas pendentes, sobretudo as relacionadas a fundos setoriais.
Avaliação de mercado
Em relatório, analistas do BTG Pactual afirmam que os remédios propostos estão dentro do esperado, mas a “magnitude parece um pouco alta”, tendo em vista que não havia expectativa para medidas além da Região Metropolitana de Buenos Aires.
A equipe do banco ainda diz que o desinvestimento de assinantes (que deve alcançar 14% da base móvel) deve ser pago e a devolução do espectro, acompanhada de alguma compensação do Estado argentino.
Com o tempo, contudo, os usuários cancelados devem retornar à Telecom, em função da qualidade da rede e da força da marca, avaliam analistas do BTG. “Acreditamos que a aquisição será aprovada, aliviando assim as preocupações que alguns investidores ainda tinham”.
Negócio sob análise
A Telefónica anunciou a venda da sua unidade na Argentina para a Telecom em fevereiro do ano passado, em um negócio avaliado em US$ 1,245 bilhão. No país, a dona da Vivo opera com a marca Movistar.
Em seguida, preocupado com os impactos concorrenciais e inflacionários, o governo argentino emitiu comunicado apontando que a fusão poderia pôr aproximadamente 70% dos serviços de telecomunicações nas mãos de um único grupo econômico.
No mês seguinte, o governo suspendeu preventivamente a transação. Ambas as empresas seguem operando separadamente.
A saída da Telefónica, dona da Vivo, do mercado argentino faz parte de um projeto de desinvestimento da companhia na América Latina. A diretoria tem afirmado reiteradamente que planeja se concentrar em mercados-chave: Espanha, Brasil, Alemanha e Reino Unido.
