Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

Argentina e Colômbia impulsionam crescimento de smartphones na América Latina em 2025

O mercado de smartphones na América Latina encerrou 2025 com crescimento moderado de 1,8% na comparação anual, impulsionado principalmente pelo dinamismo de países como Argentina e Colômbia. No entanto, no cenário internacional, as perspectivas para 2026 são marcadas pela queda global nos embarques, aumento de custos e demanda mais fraca.

Segundo o relatório mais recente da Counterpoint Research, o desempenho regional foi relativamente homogêneo. Enquanto Argentina e Colômbia registraram crescimento de 11%, o México apresentou a maior retração da região, com queda próxima de 10%, afetado por altos níveis de estoque e um ambiente econômico adverso. Já Chile (9%) e Peru (5%) mantiveram desempenho estável. Brasil e Equador registraram leve retração, de 1%.

No caso argentino, o crescimento foi resultado de um efeito rebote após um 2024 marcado por fortes restrições às importações. Na Colômbia, a expansão foi impulsionada pelo aumento da concorrência entre fabricantes e pelo crescimento dos transbordos para a Venezuela.

Mudanças no mapa competitivo

Entre os fabricantes, a Samsung manteve a liderança na América Latina, concentrando cerca de um terço dos embarques. Ainda assim, novas marcas têm intensificado a concorrência.

A Xiaomi consolidou-se na terceira posição regional, com presença consistente nos principais mercados e liderança no Peru. Já marcas emergentes como HONOR e Infinix continuam ganhando participação.

A HONOR se destacou como a marca de maior crescimento em 2025, impulsionada por estratégias agressivas de expansão, investimentos em marketing e fortalecimento de sua rede comercial em países-chave da região.

Um contexto global adverso

O cenário latino-americano ocorre em paralelo a uma desaceleração do mercado global. No primeiro trimestre de 2026, os embarques mundiais de smartphones caíram 6% na comparação anual, impactados pela escassez de memórias DRAM e NAND, aumento de custos e menor confiança do consumidor em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Nesse contexto, a Apple liderou pela primeira vez um primeiro trimestre em nível global, alcançando 21% de participação de mercado e crescimento de 5%, impulsionada pela demanda do iPhone 17 e por uma gestão eficiente da cadeia de suprimentos.

A Samsung, por sua vez, registrou queda de 6% na comparação anual, com participação de 20%, impactada por atrasos em lançamentos e pela fraqueza no segmento de entrada.

Outras marcas também enfrentaram pressões. A Xiaomi, embora mantenha a terceira posição global, sofreu queda de 19% ano a ano, evidenciando sua maior exposição a segmentos sensíveis a preço. Em contrapartida, fabricantes como HONOR, Google e Nothing registraram crescimento de dois dígitos, apoiados em estratégias de diferenciação e expansão em nichos específicos.

Preços em alta

Um dos principais fatores que devem marcar o mercado nos próximos meses é a alta contínua dos preços dos smartphones, impulsionada pela escassez de componentes e pelo aumento dos custos logísticos e energéticos.

Na América Latina, varejistas têm buscado mitigar esse impacto por meio de planos de financiamento. Ainda assim, os consumidores estão mantendo seus aparelhos por mais tempo, o que alonga o ciclo de substituição.

As projeções para 2026 apontam para uma retração tanto no âmbito regional quanto global. Na América Latina, a expectativa é de queda de até 14% nos embarques, enquanto, globalmente, o mercado seguirá pressionado pela escassez de memórias, que pode se estender até 2027.

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