Sábado, 30 de Agosto de 2025

Aportes em distribuição de energia somam R$ 235,7 bilhões

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que em 2025 serão investidos R$ 47 bilhões em redes de distribuição. Até 2029, os aportes chegam a R$ 235,7 bilhões. Os recursos vão para renovação, melhorias e expansão da infraestrutura – esta última, com R$ 144,7 bilhões do total. Enel, Cemig, CPFL e Neoenergia são algumas das protagonistas desse movimento.

A Enel está alocando cerca de R$ 24 bilhões de 2025 a 2027 nos três Estados em que atua – São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro – em modernização e automação das redes, aumento da resiliência do sistema de distribuição e manutenção preventiva, segundo o CEO da empresa, Antonio Scala. São Paulo ganhará sete novas subestações, ampliação e modernização de outras 80, 3,6 mil novos transformadores, 8,2 mil postes e mais 89 km de redes de alta tensão. Outros 36 km serão reformados.

No Ceará, que receberá mais de 600 km de rede de alta tensão, 13,5 mil transformadores e 126 mil postes, 13 subestações serão construídas e 85 modernizadas e ampliadas. A companhia vai inaugurar, no Rio, uma subestação e modernizar ou ampliar mais de 90 unidades; construir 300 km de rede de média e alta tensão; e reforçar outros 1,5 mil km de rede de média tensão. Mais de 900 transformadores e 45 mil postes serão inseridos na infraestrutura atual.

A grande maioria das empresas está investindo também no aprimoramento dos canais de atendimento” — Angela Gomes

Outro que também faz aportes bilionários é grupo CPFL Energia (São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul). Serão R$ 24,7 bilhões de 2025 a 2029. Só para este ano, os valores somam R$ 5,3 bilhões. Uma das empreitadas é a implantação de medidores inteligentes, já iniciada na região de Ourinhos (SP).

O grupo também constrói e amplia subestações, implanta novas linhas de distribuição, realiza manutenção de rede e troca de postes e instala religadores telecomandados em pontos estratégicos. Trata-se de tecnologia que permite aumentar as possibilidades de manobras operativas, localizar defeitos e realizar a segregação de blocos de carga. A meta é alcançar 23,9 mil religadores até 2027. “Com isso, melhoramos a disponibilidade e a confiabilidade da energia”, diz Gustavo Estrella, presidente da companhia.

A Cemig vai aplicar R$ 36,9 bilhões de 2019 a 2029 em distribuição – com R$ 4,7 bilhões reservados para 2025 – em projetos que preparam a empresa para a transição energética. Os aportes, conta o presidente Reynaldo Passanezi Filho, estão sendo realizados em toda a área de concessão, que abrange 774 municípios mineiros. Em 2025 estão previstas 29 novas subestações, a construção de 679 km de novas linhas de alta tensão e a implantação de 7 mil km de redes trifásicas, que devem beneficiar especialmente as áreas rurais.

A empresa está ampliando o número de medidores inteligentes e instalando religadores automatizados, que reduzem perdas, viabilizam o controle remoto e facilitam a integração de fontes variáveis (como solar e eólica). Este ano, implementará completamente um sistema para controle avançado e em tempo real da rede de distribuição. “É essencial para operar um sistema elétrico com alta penetração de energias intermitentes, como a solar”, diz Passanezi Filho.

Outra que também anunciou investimentos é a Neoenergia. Suas cinco distribuidoras – Neoenergia Brasília (DF), Neoenergia Coelba (BA), Neoenergia Cosern (RN), NeoenergiaElektro (SP/MS) e Neoenergia Pernambuco – receberão R$ 24 bilhões entre 2024 e 2027. O grupo vem aumentando a digitalização das redes e do atendimento e implantando soluções de inteligência artificial e de análise de dados, visando dar mais confiabilidade aos serviços. Entre os projetos mais novos está o Centro Tático de Relacionamento (CTR), inaugurado em maio, em Campinas (SP). Seu papel é garantir monitoramento global do atendimento, com acompanhamento em tempo real das operações.

O sistema de Recomposição Automática de Redes (AGR), projeto concluído no ano passado pela Neoenergia Cosern, está sendo expandido para Neoenergia Coelba, Neonergia Pernambuco e Neonergia Elektro. Tratam-se de algoritmos inteligentes que utilizam informações da rede em tempo real para identificar trechos com necessidade de reparo e religar o restante do sistema.

“A grande maioria das empresas está investindo também no aprimoramento dos canais de atendimento, foco fundamental em um setor em que o consumidor é cada vez mais protagonista”, afirma a diretora técnica da consultoria PSR, Angela Gomes. O combate ao furto de energia, diz, também está crescendo.

Isso, segundo ela, vem sendo feito a partir de uma abordagem holística. “É o caso do Rio de Janeiro, que, em função de sua enorme complexidade socioeconômica, requer ações coordenadas da concessionária, envolvendo instituições públicas e representantes da sociedade civil”, destaca.

 

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