Angola Cables negocia uso do Cinturão Digital do Ceará
A Angola Cables avalia ampliar sua presença de rede em Fortaleza por meio do acesso ao backbone de fibra óptica do Cinturão Digital do Ceará (CDC), rede pública de alta capacidade administrada pela Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice). A possibilidade foi discutida em reunião recente entre executivos da operadora e dirigentes da estatal.
A proposta em análise é usar a infraestrutura do CDC para ampliar a conectividade dentro da capital cearense e conectar pontos estratégicos da região, incluindo a Zona de Processamento de Exportação do Pecém, nas proximidades do Porto do Pecém. A iniciativa busca integrar esses locais à infraestrutura internacional de cabos submarinos e data centers operada pela companhia.
Em comunicado divulgado pela Etice, o diretor comercial executivo e membro do conselho da Angola Cables, Rui Faria, afirmou que a relação entre as duas instituições começou no início da operação da empresa em Fortaleza. “A colaboração começou em 2018, com a inauguração do nosso data center em Fortaleza. A Etice foi uma das primeiras organizações a instalar equipamentos no local, e desde então mantemos cooperação em serviços de hospedagem e nuvem”, disse o executivo.
Backbone estadual entra no radar
O Cinturão Digital do Ceará é uma rede de fibra óptica de alta capacidade implantada pelo governo estadual para conectar órgãos públicos, universidades e municípios cearenses. Sob gestão da Etice, a infraestrutura também pode ser utilizada em arranjos com operadores privados.
Para a Angola Cables, o acesso ao backbone estadual é estudado como uma forma de ampliar a capilaridade da rede na capital e avançar em conexões para áreas logísticas e industriais do estado. Entre os pontos citados está a região do Pecém, que concentra projetos industriais e operações portuárias.
Fortaleza concentra ativos da operadora
A presença da Angola Cables em Fortaleza inclui o AngoNAP Fortaleza Data Center, inaugurado em 2018. A unidade funciona como ponto de interligação entre cabos submarinos, provedores de conteúdo e operadoras de telecomunicações.
A companhia também está associada à operação de sistemas internacionais de cabos ópticos com passagem pela capital cearense. Entre eles estão o South Atlantic Cable System (SACS), que conecta Fortaleza a Luanda, em Angola, e o Monet Submarine Cable System, que liga o Brasil aos Estados Unidos.
No mercado brasileiro, a companhia atua por meio da subsidiária TelCables Brasil, responsável pela comercialização de serviços de conectividade e infraestrutura. A empresa também vem ampliando presença em outras cidades do país com iniciativas de interconexão, como em Belo Horizonte.
