Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Anatel e UIT lançam piloto para estimar pegada de carbono em telecom

A Anatel a União Internacional de Telecomunicações (UIT) lançaram nesta quarta-feira, 11, um projeto-piloto para aplicar, no Brasil, indicadores internacionais de medição de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e consumo de energia no setor de tecnologias da informação e comunicação (TIC).

A iniciativa busca testar a viabilidade de coleta de dados harmonizados e produzir uma estimativa nacional preliminar sobre o tema. O anúncio foi feito durante webinar nesta quarta. Diretor regional da UIT para as Américas, Bruno Ramos disse que o objetivo é enfrentar uma lacuna histórica na medição do impacto climático do setor digital.

O projeto envolverá cinco subgrupos: operadoras de telecomunicações fixas e móveis, data centers, fabricantes de equipamentos de rede, fabricantes de dispositivos finais e operadoras de infraestrutura (como empresas de torres).

A participação será voluntária, e os dados individuais serão tratados de forma confidencial, com divulgação apenas consolidada.

Anatel e UIT lançam piloto para estimar pegada de carbono das telecomunicações no Brasil
Confira o cronograma operacional apresentado do piloto. Imagem: Reprodução/Anatel
O sócio-diretor da Colin Consultoria, Márcio Lino (parceiro técnico na execução do projeto), explicou que o foco será testar indicadores já definidos internacionalmente, com prioridade para consumo total de energia, uso de fontes renováveis e emissões.

“A ideia é não fazermos grandes mudanças ou grandes buscas de informações, mas olhar o que nós temos disponível de uma forma rápida, segura e precisa”, afirmou.

Segundo Lino, a meta é produzir uma estimativa nacional referente ao exercício de 2024 e identificar eventuais barreiras técnicas, legais ou operacionais à coleta de dados. O cronograma prevê envio de questionários às empresas convidadas, reuniões individuais para esclarecimentos, consolidação das informações até o fim de abril e elaboração de relatório a ser apresentado no âmbito da UIT.

“Ao apoiar esse projeto, o Brasil se junta ao seleto grupo de países que têm avançado na construção de políticas públicas para o segmento de TICs, alinhado à mitigação dos impactos ambientais decorrentes do aumento de emissões e da demanda energética”, comentou a superintendente-executiva substituta da Anatel, Ana Beatriz Souza.

Lacuna
“Por muito tempo, a discussão sobre o impacto climático no setor digital avançou muito mais rápido do que a capacidade de medir este impacto de forma comparável, robusta e útil para a implementação e desenvolvimento de políticas públicas”, afirmou Bruno Ramos, da UIT.

Ramos argumentou que a ausência de dados padronizados compromete a qualidade do debate regulatório e a formulação de políticas. “Sem um retrato confiável, o debate fica vulnerável a estimativas inconsistentes. Na prática, perde tração na regulação e no investimento”, disse.

“O que não se mede, não se gerencia. E o que não se gerencia, dificilmente se transforma”, completou.

Compartilhe: