Anatel aponta D2D como oportunidade estratégica para o Brasil
O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, afirmou que a conectividade direta via satélite ao celular, conhecida como direct-to-device (D2D), representa uma oportunidade estratégica para o Brasil. De acordo com ele, o mercado satelital se consolidou como o “principal foco de inovação tecnológica”. A fala foi feita em Brasília nesta terça-feira, 24, durante o Seminário de Políticas de Comunicações, promovido por TELETIME.
“Temos que saber aproveitar essa oportunidade para que o Brasil, por meio de políticas públicas e regulação setorial, possa ser uma liderança no desenvolvimento desse mercado que é hoje o principal motor de inovação nas telecomunicações”, disse Baigorri.
De acordo com o presidente da Anatel, o D2D pode garantir que os usuários no Brasil tenham cobertura efetiva em todo o território nacional. Ele também comparou o cenário brasileiro ao de outros países da região. Nessa discussão, o Chile está à frente: foi o primeiro mercado da América Latina a contar com o serviço comercial D2D, usando a tecnologia da Starlink.
Na avaliação de Baigorri, porém, o Brasil reúne condições mais favoráveis. “Eu acho que nós temos um potencial muito maior para esse mercado do que o Chile”, afirmou, citando a extensão territorial e as demandas de cobertura. Ele também lembrou que o País já é o segundo maior mercado global da Starlink, com mais de 1 milhão de acessos banda larga.
MCom
Diretor de investimentos e inovação do Ministério das Comunicações, Marcelo Alves disse que a pasta vê o direct-to-device como uma tecnologia complementar ao serviço tradicional.
“O satélite é uma tecnologia muito bem-vinda. Hoje, é realmente para onde não há condições de se levar uma rede terrestre, seja fibra ou 4G e 5G. Mas é um movimento que as prestadoras devem estar atentas. Nós estamos atentos também ao que pode vir no futuro”, afirmou.
Já a conselheira substituta da Anatel, Cristiana Camarate, disse que o alto número de novos satélites de baixa órbita (LEO) foi “muito positivo”. No entanto, ela ponderou que a discussão sobre o direct-to-device deve vir acompanhada das pautas de sustentabilidade e soberania nacional.
“Temos que pensar na interferência da coordenação técnica, em eventuais saturações de faixa e na migração de detritos espaciais, que para os geoestacionários está muito bem definido no âmbito internacional.
