Anatel alerta: Bad Box 2.0 infecta 1,5 milhão de TV boxes no Brasil
Uma nova investigação técnica da Anatel revelou que as chamadas TV boxes piratas não apenas violam direitos autorais, mas também colocam em risco a privacidade dos usuários e a segurança das redes de telecomunicações no País. A atuação se dá até mesmo por uma organização criminosa internacional, como é o caso do Bad Box 2.0.
Segundo o levantamento da agência, muitos dos dispositivos usados para a recepção de canais de TV pela Internet chegam ao consumidor com softwares maliciosos pré-instalados ou recebem atualizações remotas capazes de instalar malware sem qualquer aviso. Mesmo em modo de espera, eles geram tráfego de dados suspeito e podem servir como porta de entrada para atividades criminosas.
Entre as ameaças identificadas está o Bad Box 2.0, uma rede criminosa internacional que transforma aparelhos infectados em proxies residenciais — conexões domésticas usadas para ocultar a origem de ataques e acessos ilegais. Os usos ilícitos vão de fraudes financeiras e manipulação de dados pessoais a ataques cibernéticos mais complexos, como negação de serviço (DDoS).
O avanço no Brasil é alarmante: entre fevereiro e maio de 2025, o número de dispositivos infectados saltou de 340 mil para mais de 1,5 milhão, representando 37% das infecções globais, segundo estimativas trazidas pela Anatel.
Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar (18%), seguidos por México (6%) e Argentina (5%). Órgãos como o Federal Bureau of Investigation (FBI) norte-americano, o Google e centros nacionais de segurança cibernética em Portugal e na Irlanda também emitiram alertas sobre a ameaça.
Medidas de contenção
A Anatel afirma ter bloqueado mais de 31 mil endereços IP e URLs associados a atividades ilegais de pirataria, provocando uma queda de 4% no consumo de produtos ilegais na América Latina.
“Uma outra pesquisa foi realizada pela Globo, que analisa o perfil de internautas utilizando a Internet. Eles projetaram quantidade de internautas e eles perceberam que 37 milhões de internautas teriam desistido de consumir produtos piratas exclusivamente por conta de bloqueios da Anatel”, destacou a superintendente de fiscalização da agência, Gesiléa Fonseca Teles.
A agência mantém um laboratório anti-pirataria que monitora conexões suspeitas, coopera com a Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine), e utiliza inteligência artificial para rastrear anúncios de produtos não homologados.
Riscos e orientações
A Anatel também alerta que o uso de aparelhos não homologados expõe o usuário a um possível envolvimento involuntário em crimes internacionais, além do roubo de dados e invasão de privacidade. Há não somente sanções civis, como enquadramento na Lei de Direitos Autorais e na Lei Geral de Telecomunicações, como possibilidade de responder por receptação.
A recomendação é adquirir apenas dispositivos homologados pela Anatel, disponíveis para consulta pública no portal oficial. Usuários devem evitar aplicativos de origem desconhecida, manter sistemas atualizados e, em caso de suspeita de infecção, desligar e isolar o aparelho da rede.
Apesar dos avanços recentes no combate à pirataria, a agência reconhece que enfrenta uma oferta ampla de dispositivos ilegais e baixa conscientização da população. “O engajamento de órgãos públicos, setor privado e sociedade civil é essencial para conter essa ameaça com a urgência que o caso exige”, reforçou o conselheiro Alexandre Freire.
A regulamentação também foi endurecida: marketplaces agora respondem solidariamente pela venda de equipamentos ilegais e já acumulam mais de R$ 7 milhões em multas.
