Anap quer dobrar a meta de uso do insumo pela indústria até 2025
Laser mecânico
Embora normalmente se fale que os fônons são as “partículas” de som, eles não são partículas verdadeiras, mas vibrações coletivas dos átomos em uma estrutura cristalina. E essas vibrações, que são ondas de pressão, podem ser quantizadas como se fossem partículas.
Assim, é fácil ver que um laser de som é essencialmente um “laser mecânico”, ou um análogo mecânico de um laser óptico. A técnica mais eficiente para construí-los baseia-se em microesferas mantidas em levitação, e então agitadas sem contato para que seu movimento gere as ondas sonoras.
“Aqui, mostramos que, aplicando uma injeção eletrônica de cor única a esse sistema levitado, pode-se alcançar uma melhoria gigantesca para todos os harmônicos de fônons de ordem superior, com uma melhoria de mais de 3 ordens no brilho e de 5 ordens no estreitamento da largura de linha. Esse laser de fônons aprimorado eletronicamente também é muito mais estável, com uma estabilidade de frequência estendida de uma dúzia de minutos para mais de 1 hora,” escreveu a equipe.
Devido à complexidade do aparato, a potência do laser de som ainda fica na casa dos miliwatts (máximo de 50 mW), mas a equipe acredita que já é o suficiente para pensar em aplicações práticas.
“Este trabalho, que fornece sinais muito mais fortes e de melhor qualidade de harmônicos de fônons coerentes, é um passo fundamental para controlar e utilizar lasers de fônons não lineares para aplicações como pentes de frequência de fônons, sensores de fônons de banda larga e diagnóstico biomédico ultrassônico,” concluíram os pesquisadores.
A Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap), que reúne empresas que reciclam mensalmente milhares de toneladas de material recolhido das ruas pelos catadores e entregue também pelo comércio varejista, atacadistas e indústria, quer dobrar a meta de uso do insumo pela indústria até 2025.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos o Planares (Planares) estabelece uma meta de reciclagem de papel e papelão de 30% para 2025. A associação propõe aumentar essa meta para 60%, crescendo progressivamente até 85% em 2034, superando a meta de 40% inicialmente prevista.
Na prática, conforme a Anap, já se utiliza os 60%, mas o Planares não considera esse número, o que desestimula a indústria a utilizar o insumo.
A reivindicação foi encaminhada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) em reunião recente realizada em Brasília entre a diretoria da Anap, o Instituto Giro – entidade que emite certificados necessários que comprovam o cumprimento das PNRS pelas empresas envolvidas – e representantes do governo.
“Mostramos a necessidade de evoluções na legislação brasileira que possam aprimorar os indicadores de reciclagem de papel e papelão, promovendo uma economia circular mais eficiente e alinhada com os padrões internacionais”, afirma João Paulo Sanfins, vice-presidente da entidade.
Atualmente, outros segmentos reciclam bem mais. Segundo a Anap, no caso das latinhas de alumínio quase 100% é reutilizado; PET, 56%; e sucata metálica, cerca de 40%. Sanfins lembra que os aparistas de papel aguardam para o final do ano um decreto presidencial que definirá o percentual mínimo obrigatório de material reciclado que as indústrias de embalagens terão de obedecer na produção. Decreto semelhante já está valendo, por exemplo, para o vidro.
Além das metas de reciclagem, a Anap propôs, entre outras questões:
1. Embalagens secundárias e terciárias: esclarecer as definições no Planares para incluir embalagens de papel primárias, secundárias e terciárias, abrangendo a contenção, conservação, manuseio, proteção e transporte dos produtos nelas acondicionados;
2. Cartonados longa vida: produtos compostos por 75% de papelão, 20% de plástico e 5% de alumínio devem seguir as metas de reciclagem de papel e possuir uma categoria separada para receber incentivos adequados, atendendo às demandas de empresas do setor, como a Tetrapak;
3. Notas fiscais: para verificação do cumprimento das metas em um determinado ano fiscal, serão aceitas apenas as notas fiscais eletrônicas emitidas no ano fiscal corrente ou no anterior, garantindo maior controle sobre a logística reversa;
4. Aumento do conteúdo reciclado: proposta para estimular a demanda por créditos de reciclagem de papel, reduzindo a dependência de matéria-prima virgem.
“No Brasil, muito produtores utilizam celulose como matéria-prima, que vem diretamente das dos eucaliptos. Com isso, o uso de papel reciclado fica a mercê das alterações dos preços de celulose”, diz Sanfins. “A cooperação entre a Anap e o MMA demonstra um esforço contínuo para aumentar a transparência, a rastreabilidade e a certificação na produção de papel e papelão, consolidando o Brasil como líder na produção sustentável e no avanço da Economia Circular”, afirma o executivo.
