Análise do orçamento envolve nova decisão sobre aplicação do Fust
O Congresso Nacional se prepara para aprovar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO 2025) nos próximos dias. Entre as emendas apresentadas pelos parlamentares está a proposta de manter a proibição do contingenciamento de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).
No ano passado, a proibição ao bloqueio de verba oriunda do Fust entrou no relatório por sugestão da senadora Daniela Ribeiro (PSD-PB), que presidiu a Comissão Mista de Orçamento (CMO) à época. A ideia foi garantir a vigência de uma proposta de lei de sua autoria (PLP 77/2022), que tornaria a execução da verba, que é voltada principalmente para o avanço do acesso à internet, uma regra permanente – proposição que até chegou no Plenário do Senado no final de 2023, mas ficou parada lá desde então, avançando apenas via LDO.
Neste ano, Ribeiro repetiu a sugestão de emenda, que também foi apresentada individualmente pelo senador Esperidião Amin (PP-SC) e também, coletivamente, pelas comissões de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Comunicação e Direito Digital (CCDD), no Senado.
Neste ano, faltando uma semana para o fim do ano legislativo, o relatório final da PLDO 2025 está pendente de votação em comissão, que tem análise prevista para esta terça-feira, 17. Posteriormente, a redação deve ser encaminhada para análise no Plenário, em sessão do Congresso Nacional, ainda nesta semana.
Previsão orçamentária
Já o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2025, também pendente de votação, prevê R$ 1,25 bilhão em recursos sob supervisão do Fust nas operações de crédito, contra R$ 1,05 bi previstos no ano passado.
Para o Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), as operações de crédito previstas somam R$ 489,5 milhões, ante os R$ 316,9 milhões da PLOA 2024.
No âmbito das despesas do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social, a proposta destina R$ 2,04 bilhões ao Ministério das Comunicações (MCom), sendo R$ 90 milhões de operações especiais (sentenças judiciais, dívida interna e outros encargos) e R$ 313,7 milhões de reserva de contingência – sobrando R$ 1,6 bilhão após tais descontos.
Do montante sob a alçada do ministério, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem R$ 765,1 milhões, e a Telebras R$ 890,9 milhões – valor que pode subir em R$ 41,5 milhões com emendas parlamentares.
Veja o comparativo abaixo:
Orçamento comparativo
Valores com base na proposta encaminhada pelo governo federal.
| MCom* | 1.983.237.387 | 2.040.080.782 | 2.041.795.472 |
|---|---|---|---|
| Administração direta | 360.373.805 | 444.973.453 | 340.679.575 |
| Pessoal e Encargos Sociais | 56.546.897 | 56.546.897 | 54.982.476 |
| Reserva de contingência | – | 1.823.730 | – |
| Anatel | 665.066.707 | 665.066.707 | 765.166.357 |
| Pessoal e Encargos Sociais | 426.942.234 | 426.942.234 | 439.438.019 |
| Reserva de contingência | 5.888.029 | 10.098.379 | 8.920.006 |
| Telebras | 889.705.024 | 861.948.771 | 890.949.540 |
| Pessoal e Encargos Sociais | 148.113.096 | 148.113.096 | 138.764.672 |
| Reserva de contingência | 276.162.108 | 279.155.057 | 304.876.196 |
