América Latina está ficando para trás do resto do mundo em 5G, alerta analista
A América Latina está ficando para trás do resto do mundo na implementação de redes 5G e na exploração de novos negócios com essa tecnologia. O alerta foi feito por Ari Lopes, analista líder para as Américas da Omdia, durante a abertura do Telco Transformation 2025, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 27.
“A América Latina ficou atrás do resto do mundo em penetração de 5G. Geralmente a região ficaria perto dos países da Europa Oriental. Mas agora estamos à frente apenas da África”, comparou.
Alguns países importantes da região nem fizeram leilões de espectro para 5G ainda. E, entre os que fizeram, a maioria está atrasada na implementação das redes. A Colômbia, por exemplo, tem até agora apenas 1,5 mil ERBs 5G e 90% delas são da Claro. A Argentina fez o seu leilão em 2023 e até agora tem menos de 1 mil ERBs. A Claro tem espectro e ainda não lançou o 5G por lá, apontou.
A exceção na região é o Brasil, único país que conseguiu atrair mais de um novo entrante com o leilão de 5G e que conta com 45 mil ERBs de quinta geração, destacou Lopes.
Brasil e México concentram 79% das conexões 5G da região.
5G não impactou em receita ainda
O 5G ainda não impactou positivamente nos balanços financeiros das operadoras latino-americanas, nem mesmo das brasileiras, que estão mais avançadas na implementação dessa tecnologia. Em 2024, a receita móvel das teles brasileiras em dólar cresceu apenas 0,7%. No México, aumentou 1,7%.
Lopes comentou que em outras regiões do mundo as operadoras já estão explorando novos serviços com 5G, envolvendo tecnologias como network slicing e inteligência artificial. Mas isso ainda não acontece no Brasil.
América Latina: teles em situação financeira delicada, mas Brasil é exceção
De maneira geral, as operadoras latino-americanas vivem um ciclo de controle de custos que deve durar pelo menos até 2026, projeta o analista. Enquanto reduzem o Capex, ficam para trás na evolução tecnológica e entram em um loop negativo, sem conseguir melhorar as receitas de maneira significativa. Para complicar, alguns mercados, como Chile, vivem uma longa guerra de preços que tem provocado uma redução significativa do faturamento.
“Isso leva operadoras a saírem do mercado, ou serem vendidas ou a entrarem em recuperação judicial, porque não existe mercado sustentável em muitos países da América Latina”, analisa.
A exceção, novamente, é o Brasil. O país é o único da região em que as três operadoras móveis líderes mantêm margens Ebitda confortáveis, na casa de 40%. Nos outros mercados, isso é uma realidade de uma ou no máximo duas operadoras.
Por trás desse bom desempenho financeiro das teles brasileiras está uma estratégia de migração de clientes pré-pagos para planos pós-pagos e de recomposição de preços, explica o analista. Mas ele alerta que essa estratégia não vai durar para sempre e é necessário desenvolver novas fontes de receita sobre a rede 5G para manter uma rentabilidade saudável no futuro.