Terça-feira, 3 de Março de 2026

Âmbar, dos irmãos Batista, compra a fatia da Eletrobras na Eletronuclear

Subsidiária da J&F será única empresa privada do setor elétrico com ativo de geração nuclear.

A Âmbar Energia, empresa do grupo J&F, controlado pela família Batista, assinou ontem contrato para a compra de 100% da participação da Eletrobras na Eletronuclear. A aquisição envolveu R$ 535 milhões e depende ainda da aprovação dos órgãos reguladores. A Âmbar também assumirá as garantias da Eletrobras dadas em favor da Eletronuclear e outras obrigações, conforme fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários.

De acordo com a Eletrobras, com a compra da totalidade de sua participação, a Âmbar passará a deter 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear, que opera o Complexo Nuclear de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

A União, que não participou da transação, seguirá controlando a Eletronuclear por meio da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que detém 64,7% do capital votante e cerca de 32% do capital total. A operação foi assessorada pelo BTG Pactual e resulta de um processo competitivo iniciado em 2023.

“Seremos o único player privado ( no Brasil) com posição no setor nuclear, uma fonte que ganha força em todo o mundo por equilibrar a necessidade do setor de tecnologia por energia firme com a redução das emissões de gases do efeito estufa”, destacou o presidente da Âmbar Energia, Marcelo Zanatta, ontem ao Estadão/Broadcast, que classificou o ativo como “único e extremamente estratégico”.

‘CONSOLIDAÇÃO’. De acordo com ele, a transação faz parte de um plano iniciado pela companhia em 2021, quando comprou a usina termoelétrica de Uruguaiana. “Naquele momento, percebemos que estávamos no início de uma onda de desinvestimentos e de consolidação no segmento de geração e nos preparamos financeira e operacionalmente para aproveitá-la”, disse.

De lá pra cá, a Âmbar comprou diversas termelétricas, incluindo vários ativos que pertenciam à Eletrobras como por exemplo, 12 termelétricas instaladas no Amazonas, que abriram caminho para os irmãos Batista arrematarem a empresa de distribuição do Estado – a Amazonas Energia. A usina a carvão Candiota, em 2024, e a termelétrica Santa Cruz, concluída na semana passada, são outros ativos nos

“Seremos o único player privado com posição no setor nuclear, uma fonte que ganha força por equilibrar a necessidade do setor de tecnologia com a redução de emissões”

Marcelo Zanata

Presidente da Âmbar

quais tem participação, mas não detém controle, como a Eletronuclear agora.

“A transação (venda da fatia na Eletronuclear) representa um marco importante para a Eletrobras e reforça o compromisso assumido com os seus acionistas e o mercado, de otimização de seu portfólio e alocação de capital, com foco na geração de valor e simplificação de sua estrutura conforme previsto em seu Plano Estratégico”, disse a empresa em comunicado

PORTFÓLIO DE GERAÇÃO. Atualmente, a Âmbar afirma contar com 50 usinas, considerando também negócios em fase de conclusão, em diversas fontes: solar, hidrelétrica, a biodiesel, a biomassa, a biogás, a gás natural e carvão. “Continuamos enxergando oportunidades de aquisições para ampliar e diversificar nosso portfólio de geração”, disse Zanatta, ressaltando que com a Eletronuclear a empresa passará a ter o portfólio mais diversificado do setor elétrico brasileiro.

Compartilhe: