Sábado, 31 de Janeiro de 2026

Além de São Paulo, Enel pode perder concessão no Ceará

Fora de Goiás há mais de dois anos, a Enel também corre risco de deixar de operar no Ceará. O pedido de antecipação e prorrogação do contrato da Enel Ceará teve parecer contrário do relator em reunião da Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na terça-feira, dia 9, mas não houve deliberação após outro conselheiro pedir vistas.

A multinacional italiana tem sido criticada após apagões afetarem grande parte dos consumidores da Grande São Paulo nos últimos anos. Na noite de sexta-feira, dois dias após ventania recorde, quase 700 mil imóveis seguiam sem energia e a concessionária não dava prazo para a normalização.

Como a de São Paulo, a Enel Ceará tem histórico de multas por problemas na prestação do serviço. A mais recente foi na quarta-feira, de R$ 19,9 milhões, por “falhas na qualidade do atendimento comercial da distribuição de energia elétrica”, aplicada pela Agência Reguladora do Ceará (Arce).

Outras duas multas milionárias foram aplicadas em 2025. Além disso, a Enel Ceará descumpriu o tempo médio anual de interrupção do serviço por três anos.

Em nota, a distribuidora de energia destacou que “vem cumprindo integralmente” o Plano de Resultados aprovado pelo Ministério de Minas e Energia. “Dessa forma, a empresa atende integralmente aos requisitos estabelecidos no Decreto sobre a prorrogação antecipada”, defendeu.

Além disso, a distribuidora salientou ter reduzido a duração média de interrupções desde 2023 e cita investimento de R$ 1,3 bilhão nos primeiros nove meses do ano. “Com a con

Enel Ceará diz ter feito investimentos para melhora no serviço prestado no Estado

clusão das ações previstas até dezembro de 2025, a Enel Distribuição Ceará consolida as condições técnicas e regulatórias necessárias para a prorrogação antecipada do contrato”, completou.

Em Goiás, a Enel finalizou a venda de sua participação na distribuição de energia no Estado para a Equatorial Energia no começo de 2023. A medida ocorreu após “dificuldades no abastecimento energético nos últimos anos”, como foi descrito pela diretoria-geral na Aneel à época.

Antes disso, parte dos índices foram melhorados após um plano emergencial de quatro anos, porém foram consideradas insuficientes. O Estado havia registrado uma série de apagões, associados pela Enel Goiás a eventos climáticos severos, como temporais, ventanias e raios.

PGR. Em 2019, a Enel foi alvo de relatório enviado à Procuradoria-Geral da República pelo governo do Estado e também de CPI na Assembleia local.

Além de São Paulo e Ceará, a Enel atua hoje no Estado do Rio de Janeiro.

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