Alares cresce em 2025 e vai ao mercado para ser ‘protagonista em M&A’
Após crescer em receitas e elevar a rentabilidade em 2025, a Alares já tem definidos os objetivos para este ano: ir às compras de provedores de serviços de Internet (ISPs), incrementar as ofertas ao consumidor residencial (B2C) e fortalecer a divisão de serviços corporativos (B2B).
A empresa registrou receita líquida de R$ 939 milhões em 2025, alta de 24,6% antes 2024. O balanço indica que a empresa encerrou 2025 com cerca de 825 mil assinantes de banda larga.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou a R$ 438,1 milhões no ano passado, avançando 29,3% na comparação anual. A margem Ebitda teve alta de 1,7 ponto percentual, alcançando 46,7%.
A Alares registrou prejuízo líquido de R$ 111,8 milhões em 2025, montante 11,2% maior do que o resultado negativo de 2024 (R$ 100,5 milhões), mas motivado por pressões transitórias, indicou o comando da empresa.
Entrevista com CEO
O CEO da Alares, Denis Ferreira, afirmou categoricamente, em entrevista ao TELETIME na noite desta quarta-feira, 18, que a provedora não vai recuar no projeto de expansão inorgânica buscando ser “protagonista na consolidação do mercado de banda larga”.
“Continuamos a ser consolidadores e compradores de ativos de ISPs […] e temos prospectado um pipeline bastante robusto de ativos. Há coisas interessantes para evoluir e continuamos muito ativos nesta frente”, destacou Ferreira, acrescentando que a integração da IPNet, provedor adquirido em novembro passado, já foi 100% concluída.
O executivo comentou que a empresa está preparada para processos de fusão e aquisição (M&A) por ter desenvolvido sistemas que aceleram as incorporações e a obtenção de sinergias. Além disso, conta com apoio da gestora de private equity Grain Management, na forma de aportes adicionais, para seguir o crescimento inorgânico.
De acordo com o CEO, nas decisões de M&A, a Alares leva em conta três fatores: a capacidade de crescimento, a qualidade da rede e a governança da empresa-alvo.
“Essa plataforma de crescimento inorgânico, com suporto do nosso acionista, nos permite gerar cada vez mais valor”, assegura Ferreira. “Isso tudo nos dá a tranquilidade de que vamos conseguir fazer integrações mais suaves e rápidas”, acrescenta.
B2C e B2B
Para este ano, o CEO apontou que a Alares planeja incrementar as ofertas no B2C. Segundo o executivo, o serviço de streaming de vídeo e canais lineares Alares Play “tem tido sucesso” e agora a empresa “planeja outros serviços proprietários de conectividade e aumento da percepção de valor sobre a entrega de banda larga”.
Já o B2B, segmento responsável por 5% da base de clientes e 10% das receitas, é considerado “uma grande avenida de crescimento”. Um dos casos de sucesso é o fornecimento de conectividade combinada a soluções de controle de acesso e monitoramento em condomínios.
“Estamos reforçando a nossa capacidade de rede para atender o B2B, dando mais agilidade para adoção e desenvolvimento de serviços. O B2B tem uma demanda reprimida e temos soluções inteligentes para o segmento”, salientou Ferreira.
Trajetória e dívida
Segundo Ferreira, os resultados de 2025 confirmaram a trajetória posta em prática pela empresa desde 2022.
“Esse plano previa algumas etapas, com o objetivo de construir uma empresa que estivesse 100% integrada, com robustez, escalabilidade de processos e sistemas, além de uma cultura muito forte em termos de organização de pessoas”.
Já a dívida líquida totalizou R$ 1,34 bilhão ao fim de 2025, registrando um incremento anual de 18,4%, em função de debêntures, empréstimos bancários e pagamento de aquisições. A alavancagem, por sua vez, teve ligeira queda de 3,08x para 3,06x.
“Desde 2022, a alavancagem vem caindo de forma consistente. Estamos em patamares confortáveis, mas acreditamos que sempre temos que buscar uma alavancagem cada vez menor, fazendo com que o negócio expanda as margens, principalmente em cenário de juros altíssimos”, comentou o executivo.
Prejuízo líquido
De acordo com Ferreira, o prejuízo líquido de de R$ 111,8 milhões em 2025 foi impactado por um ajuste de depreciação na aquisição do provedor Azza, sem impacto no caixa, e reversões de provisionamento. “É tudo transitório e em breve será diluído. Estamos em uma trajetória para melhorar mais nesse aspecto”, disse o CEO da Alares.
