Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Agro apoia Lula e rejeita tarifa alta de Trump

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou nesta quinta-feira (10/7) um comunicado afirmando que a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as exportações brasileiras é injustificada e prejudica ambos os países.

Segundo a nota, “Essa decisão unilateral não encontra justificativa no histórico das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que sempre foram pautadas pela cooperação e equilíbrio, seguindo os melhores princípios do livre comércio mundial”.

Trump instituiu a nova tarifa na quarta-feira (9/7) através de uma carta dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com essa tarifa, o Brasil passou a ter as taxas mais altas impostas pelos EUA entre as 22 anunciadas pelo presidente norte-americano. A medida entra em vigor a partir de 1º de agosto e será aplicada separadamente das outras tarifas setoriais, como as que abrangem o aço e alumínio brasileiros.

Em abril, o Brasil já havia sofrido tarifas de 10% por parte dos Estados Unidos. Agora, além da nova taxa de 50%, as tarifas americanas sobre o aço, alumínio e cobre também afetam o país.

Desde o início do mandato, Trump tem ameaçado impor tarifas comerciais ao mundo, com atenção especial ao grupo Brics e ao Brasil. Ele chegou a ameaçar taxas de até 100% para os países do bloco que não respeitarem os interesses comerciais dos EUA. Após defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump afirmou que poderia aumentar as tarifas sobre exportações brasileiras, alegando que o Brasil não tem sido vantajoso para os Estados Unidos.

Estados Unidos é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, as exportações brasileiras para o mercado americano somaram US$ 40,3 bilhões, enquanto as importações dos EUA para o Brasil atingiram US$ 40,6 bilhões, configurando um déficit para o Brasil no comércio bilateral. No agronegócio, ambos países competem no mercado mundial em produtos como soja e algodão.

A CNA ressalta que essas medidas “prejudicam as economias dos dois países, causando danos a empresas e consumidores”. A nota destaca que as relações entre Brasil e Estados Unidos sempre serviram aos interesses de ambos, sem desequilíbrios injustos.

Os produtores rurais brasileiros acreditam que essas questões só podem ser resolvidas por meio de diálogo constante e incondicional entre governos e setores privados, sem que fatores políticos prejudiquem a economia e o comércio.

O Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) também manifestou preocupação, criticando a utilização da questão tarifária como instrumento de disputa pessoal e ideológica entre Trump e Lula. Essa postura provoca prejuízos diretos à produção, aos trabalhadores e à sociedade.

De acordo com o Ciesp, não há argumentos concretos que justifiquem a tarifa de 50% nos produtos brasileiros, e a justificativa apresentada por Trump sobre a balança de pagamentos bilateral estar desfavorável não procede, pois os EUA tiveram superávit de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens na última década, e US$ 256,9 bilhões se incluídos os serviços.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) também declarou que a medida causará impactos expressivos nas exportações brasileiras. A associação esclarece que não há justificativa econômica para tal ação.

Os equipamentos elétricos de grande porte, principais produtos do setor exportado, serão especialmente afetados, principalmente diante dos investimentos significativos feitos nos Estados Unidos para criar infraestrutura de recarga de veículos elétricos em todo o país.

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