Domingo, 31 de Agosto de 2025

Abinee sugere medidas para mitigar impacto de tarifas dos Estados Unidos

A Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) enviou na última quinta-feira, 24, propostas aos governos federal e do Estado de São Paulo para mitigar os impactos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. A taxação está prevista para entrar em vigor na próxima sexta-feira, 1º de agosto.

Ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Abinee sugeriu aumentar, temporariamente, a alíquota do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra).

A entidade também defendeu o que governo suspenda a tributação sobre insumos usadas na produção de bens exportados, o crédito presumido de IPI (ou PIS/Cofins) sobre exportações aos Estados Unidos e linhas de financiamento emergencial via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

A proposta ao governo federal ainda contempla a desoneração temporária da folha de pagamento e ajustes no preço de transferência (transfer pricing) e nos repasse de valores de fundos públicos setoriais.

Já para o governo paulista, a entidade propôs acelerar os processos de devolução de saldos credores acumulados de ICMS para empresas exportadoras para os Estados Unidos, ampliar a flexibilização dos regimes especiais de ICMS e criar o regime especial simplificado de suspensão do mesmo imposto.

A associação, que já havia se manifestado defendendo diplomacia nas negociações entre os países, ressaltou que as propostas têm caráter temporário, visando atenuar os efeitos econômicos prejudiciais enquanto o tarifaço de Donald Trump vigorar.

“As medidas representam instrumentos concretos de reação estratégica para que o Brasil mantenha sua capacidade de competir em escala global e não perca participação em cadeias globais de valor, especialmente na área de infraestrutura energética e industrial”, afirma o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, em nota.

Impacto econômico
De acordo com a Abinee, no primeiro semestre deste ano, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações do setor eletroeletrônico brasileiro, ficando com 29% das vendas para o exterior.

As vendas para o país da América do Norte totalizaram US$ 1,1 bilhão entre janeiro e junho. O montante representa uma alta de 23% na comparação com o mesmo período de 2024.

Os principais produtos exportados aos Estados Unidos foram transformadores (82% das vendas do produto, somando US$ 346 milhões) e linhas de motores e geradores (33% do total das vendas, alcançando US$ 108 milhões).

Segundo a Abinee, o tarifaço pode provocar paralisação de embarques e queda nas encomendas. A entidade ainda aponta que o impacto sobre o comércio exterior pode prejudicar a indústria eletroeletrônica como um todo, tendo em vista que as exportações representam 17% do faturamento do setor.

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