Abinee refuta investigação comercial dos Estados Unidos contra Brasil
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) refutou a investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil por supostas práticas desleais no âmbito do comércio entre os dois países.
A manifestação foi registrada em carta encaminhada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pelo comércio internacional do país da América do Norte, e segue posicionamento semelhante ao da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
No documento, a Abinee destaca que o Brasil não adota práticas “injustificáveis, discriminatórias ou restritivas” no comércio com os Estados Unidos. Vale lembrar que a investigação está sendo conduzida com base na chamada Seção 301 da lei comercial norte-americana, em meio ao tarifaço imposto por Donald Trump às exportações brasileiras.
Na carta, a Abinee ressaltou que o fluxo de comércio no setor eletroeletrônico entre os dois países é superavitária em favor dos norte-americanos. Segundo a entidade, no primeiro semestre deste ano, o Brasil registrou saldo negativo de US$ 1,3 bilhão em negócios com os Estados Unidos. As exportações totalizaram US$ 1,1 bilhão, menos da metade das importações, que somaram US$ 2,4 bilhões.
A associação também reforçou que as regulamentações e práticas comerciais brasileiras estão em conformidade com as regras de comércio internacional. Além disso, pediu a reconsideração sobre a investigação aberta pelo USTR, destacando a presença de indústrias de capital de origem norte-americana operando no Brasil e a relação diplomática de cerca de 200 anos entre as duas nações.
“A Abinee reforça seu compromisso com a defesa do setor produtivo nacional e acredita que o caminho diplomático será fundamental para garantir a confiabilidade e previsibilidade que sempre pautou essa relação bilateral entre Brasil e EUA”, afirma a entidade, em nota encaminhada à imprensa.
Entenda o caso
Em linhas gerais, o governo dos Estados Unidos alega que as políticas brasileiras prejudicam as empresas norte-americanas, citando casos como Pix, Marco Civil da Internet e pirataria.
Inclusive, entidades da indústria de tecnologia dos Estados Unidos também reforçaram o coro contra instituições brasileiras, como Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Congresso Nacional, Banco Central e Supremo Tribunal Federal (STF).