Abinee propõe soluções para reduzir efeitos das tarifas dos EUA
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) está buscando atenuar os possíveis impactos das tarifas de exportação impostas pelos Estados Unidos. A medida, que pode entrar em vigor em breve, já motivou a entidade a enviar ofícios com propostas tanto para o governo federal quanto para o governo do estado de São Paulo. O objetivo é evitar prejuízos significativos para o setor.
A Abinee manifestou preocupação com a possível perda de competitividade das exportações brasileiras. Segundo a associação, a imposição das tarifas pode levar à paralisação de embarques e à diminuição de novas encomendas. No primeiro semestre de 2025, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações do setor eletroeletrônico, representando 29% do total.
Entre as propostas encaminhadas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), destacam-se o aumento temporário da alíquota do Reintegra e a suspensão da tributação sobre insumos usados na produção de bens exportados. A Abinee também sugeriu a criação de crédito presumido de IPI (ou PIS/Cofins) sobre exportações aos EUA, além de linhas de financiamento emergencial via BNDES ou Finep.
Para o governo estadual, a Abinee propõe a aceleração dos processos de devolução de saldos credores acumulados de ICMS para empresas exportadoras aos EUA. A associação também sugeriu a ampliação e flexibilização dos regimes especiais de ICMS e a criação de um regime especial simplificado de suspensão do ICMS.
As medidas propostas pela Abinee visam garantir que o Brasil mantenha sua capacidade de competir no mercado global. O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, ressalta a importância de não perder participação em cadeias globais de valor, especialmente nas áreas de infraestrutura energética e industrial. As propostas são de caráter temporário, enquanto as tarifas impostas pelos EUA produzirem efeitos econômicos prejudiciais.
No primeiro semestre de 2025, as exportações do setor eletroeletrônico brasileiro totalizaram US$ 3,8 bilhões, um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os Estados Unidos foram o principal destino dessas exportações, totalizando US$ 1,1 bilhão, com um crescimento de 23% em relação a 2024. Os principais itens exportados para os EUA foram transformadores e motores e geradores.
A Abinee alerta que os impactos das tarifas de exportação também podem prejudicar o desempenho total da indústria eletroeletrônica. As exportações representam, em média, 17% do faturamento do setor. No caso de produtos da área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD) e Equipamentos Industriais, este percentual atinge 24% e 21%, respectivamente.
Diante deste cenário, a Abinee busca soluções para mitigar os possíveis danos e garantir a competitividade do setor eletroeletrônico brasileiro no mercado internacional.