Abinee mobiliza governo federal e estadual para enfrentar “tarifaço” dos EUA contra o Brasil
A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) encaminhou na última semana, ofícios ao ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e ao governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, propondo uma série de medidas emergenciais diante da decisão dos Estados Unidos de impor tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, válida a partir de 1º de agosto de 2025.
A tarifa, anunciada em carta enviada pelo presidente americano Donald Trump ao presidente Lula em 9 de julho, representa um impacto severo aos produtos manufaturados e semimanufaturados brasileiros, especialmente os destinados ao setor de eletroeletrônicos — segmento no qual os EUA foram o principal destino das exportações no primeiro semestre de 2025 (US$ 1,1 bilhão, com crescimento de 23%).
Embora o Banco Central avalie que o impacto sobre o PIB será limitado — entre 0,2 e 0,6 ponto percentual —, também ressalta que setores como eletroeletrônica, aeroespacial, siderurgia e máquinas estão entre os mais vulneráveis.
Assim sendo, as propostas da Abinee ao governo federal incluem:
Aumento temporário da alíquota do Reintegra;
Suspensão da tributação sobre insumos usados em exportação;
Crédito presumido de IPI ou PIS/Cofins sobre vendas aos EUA;
Linhas de financiamento emergencial via BNDES ou Finep;
Desoneração temporária da folha de pagamento;
Ajuste no regime de transfer pricing;
Repasse de valores de Fundos Públicos Setoriais.
Já ao governo do Estado de São Paulo foram sugeridas:
Aceleração da devolução de saldos credores de ICMS;
Ampliação e flexibilização de regimes especiais de ICMS;
Criação de regime especial simplificado de suspensão do ICMS para exportadores aos EUA.
Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, afirmou que essas ações são estratégicas e temporárias, com o objetivo de preservar a competitividade global do Brasil e evitar perda de participação em cadeias internacionais de valor.
No primeiro semestre de 2025, as exportações do setor eletroeletrônico brasileiro somaram cerca de US$ 3,8 bilhões (alta de 12% sobre o mesmo período do ano anterior), sendo os principais itens exportados aos EUA transformadores (82% das vendas do item, US$ 346 milhões) e motores e geradores (33%, US$ 108 milhões).
Relatórios do BTG Pactual estimam que, se mantidas, as tarifas podem reduzir exportações brasileiras em até US$ 7 bilhões em 2025, chegando a US$ 13 bilhões em 2026, embora a realocação de exportações a outros mercados possa mitigar perdas.
Negociações
Uma delegação de senadores brasileiros já está em Washington, com ao menos seis parlamentares que desembarcaram no sábado (26) e iniciaram reuniões com aliados da administração Trump para tentar negociar a suspensão ou adiamento do tarifaço.
A Comissão de Relações Exteriores, liderada pelo senador Nelsinho Trad (PSD‑MS), convocou reunião extraordinária e anunciou a criação de um grupo de trabalho para dialogar diretamente com o Congresso dos EUA. Contudo, é prerrogativa da Presidência da República chancelar qualquer acordo negociado.