Terça-feira, 18 de Agosto de 2026

Abinee intensifica atuação contra tarifaço dos EUA e defende medidas para preservar competitividade da indústria

Abinee participou, no dia 21 de julho, de reunião do governo para debater impactos do tarifaço

 

A Abinee – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica ampliou sua atuação institucional diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, classificando as medidas como “injustificáveis” e defendendo uma resposta coordenada entre governo e setor produtivo para reduzir os impactos sobre a indústria nacional.

Em um primeiro posicionamento, divulgado após a decisão do governo norte-americano de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, a entidade afirmou que a medida não encontra respaldo nas relações comerciais entre os dois países. Segundo a Abinee, o mercado norte-americano é estratégico para o setor eletroeletrônico brasileiro, especialmente para fabricantes de transformadores, motores, geradores e componentes para equipamentos industriais. Além disso, a associação ressaltou que o fluxo comercial do setor é historicamente superavitário para os Estados Unidos: em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 2,1 bilhões em produtos eletroeletrônicos para o mercado norte-americano e importou aproximadamente US$ 4,8 bilhões, resultando em déficit comercial brasileiro de US$ 2,7 bilhões.

A entidade também informou que, ainda durante a investigação conduzida pelo U.S. Trade Representative (USTR), encaminhou manifestação ao órgão norte-americano em apoio ao posicionamento da CNI – Confederação Nacional da Indústria, contestando a alegação de que o Brasil adotaria práticas comerciais discriminatórias ou restritivas em relação aos Estados Unidos. Segundo a Abinee, as empresas instaladas no país atuam em conformidade com a legislação brasileira e com as normas internacionais de comércio.

A situação se agravou alguns dias depois, quando Washington anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5%, elevando para 37,5% a carga tarifária incidente sobre parcela significativa das exportações brasileiras. Em nova nota, a Abinee repudiou a ampliação das tarifas e afirmou que a justificativa dos EUA, baseada no combate ao comércio de bens produzidos com trabalho forçado, “não corresponde à realidade brasileira”. A associação destacou que o Ministério do Trabalho e Emprego apresentou documentação às autoridades norte-americanas demonstrando a legislação brasileira e os mecanismos de fiscalização existentes, além de lembrar que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos compromissos assumidos no enfrentamento ao trabalho forçado.

No caso específico da indústria eletroeletrônica, a Abinee ressaltou que diversas empresas de capital norte-americano operam no Brasil e seguem rigorosamente a legislação nacional, mantendo estruturas permanentes de fiscalização, investigação e responsabilização em suas cadeias produtivas. Para a entidade, esse contexto torna inadequada a fundamentação utilizada para justificar a nova sobretaxa.

Além das críticas às medidas adotadas pelos Estados Unidos, a associação apresentou propostas para mitigar seus efeitos sobre a indústria brasileira. Entre elas estão a ampliação das linhas de crédito às exportações, reforço dos programas públicos de garantias e seguro de crédito à exportação, fortalecimento das ações de promoção comercial e aceleração da abertura de mercados alternativos para produtos brasileiros. A entidade informou que mantém diálogo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e demais órgãos do governo federal para que essas medidas integrem a estratégia nacional de resposta ao aumento das barreiras comerciais.

Outra iniciativa da Abinee foi solicitar formalmente ao governo brasileiro apoio para que produtos do segmento de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD) sejam incluídos na lista de exceções às tarifas decorrentes da investigação da Seção 301, considerando a relevância desses equipamentos para o comércio bilateral e para a cadeia industrial dos dois países.

Apesar das críticas ao tarifaço, a associação reiterou que a solução deve ser construída por meio do diálogo diplomático. Em suas manifestações públicas, a Abinee defende a preservação da relação bilateral entre Brasil e EUA, construída ao longo de aproximadamente dois séculos de intercâmbio econômico e tecnológico, argumentando que previsibilidade regulatória e segurança jurídica continuam sendo fatores essenciais para os investimentos industriais e para a integração das cadeias globais de suprimentos.

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