Domingo, 31 de Agosto de 2025

Abinee: equipamentos elétricos continuam sujeitos ao tarifaço

Após o anúncio de quais produtos receberão uma sobretaxa de 50% ao entrarem nos Estados Unidos, a Abinee alerta que a lista de exceção divulgada pelo governo de Donald Trump não inclui alguns dos principais equipamentos elétricos vendidos ao mercado norte-americano, que permanecem sujeitos às tarifas impostas pelos EUA sobre exportações industriais brasileiras.

Entre os equipamentos elétricos afetados estão os transformadores para rede elétrica, embora a lista de exceção traga alguns desses itens, mas com especificações e aplicações diferentes dos produtos exportados pelo Brasil. Enquanto isso, na lista dos isentos estão, por exemplo, peças de ferramentas eletromecânicas para trabalho manual, com motor elétrico autônomo, e partes de secretárias eletrônicas.

“A continuidade das negociações pelo governo brasileiro é essencial para que possamos incluir esses produtos na lista”, afirma o presidente da entidade, Humberto Barbato.

Ao mesmo tempo, ele reforça a necessidade de adoção de medidas para compensar os impactos do tarifaço. A Abinee encaminhou propostas para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e para o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Segundo a entidade, o tarifaço traz risco iminente de perda de competitividade das exportações nacionais, podendo provocar paralisação de embarques e queda de encomendas. No primeiro semestre deste ano, os EUA representaram 29% do total exportado pelo setor eletroeletrônico brasileiro, sendo o principal destino das vendas externas.

Alumínio

Setores da indústria brasileira começaram a precificar o tamanho do prejuízo e reforçam pedidos de empenho do governo Lula nas negociações com os norte-americanos até o próximo dia 6, quando passa a valer a taxa prevista em decreto assinado por Donald Trump em 30 de julho.

A Abal (Associação Brasileira do Alumínio), por exemplo, projeta um prejuízo de R$ 1,15 bilhões com as sobretaxas – o setor já é taxado em 50%, índice que não será cumulativo com as tarifas anunciadas na última quarta. Apesar de a alumina, insumo essencial para a produção de alumínio primário, constar na lista de produtos isentos, a bauxita, hidróxido de alumínio e o cimento aluminoso ficaram de fora.

Os EUA são o terceiro principal destino das exportações brasileiras de alumínio, atrás apenas de Canadá e Noruega, respondendo por 14,2% das vendas do setor. Ao todo, mais de US$ 773 milhões (R$ 4,2 bilhões) são comercializados aos EUA e cerca de um terço desse total de produtos comercializados estará sujeito à sobretaxa de 50%, segundo a Abal.

Neste ano, já com a aplicação de tarifas anunciadas em março por Trump, o setor perdeu US$ 46 milhões (R$ 350 milhões) em exportações.

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